Descanso na loucura

Amor é pra quem ama (Lenine)

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O coqueiro e o obus

Caetano Veloso está completando 70 anos. Podem dizer o que quiserem, pois com este baiano é assim: ou se ama ou se odeia. Não há meio termo quando se trata desse compositor e intérprete único. Tenho uma tese de que Caetano continuou a obra de Noel Rosa, em outro tempo, com outra concepção. Mas a raiz da poesia de um está na temática de outro. Veja o verso: “não me venha falar da malícia de toda mulher/cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Aí está Noel, revisitado pelo gênio tropicalista. Mas há muitos exemplos. Pra mim, Caetano reescreveu a língua, fez-se parceiro do tempo, reinventou a poética num cenário de extrema caretice, num ambiente reacionário e conservador. Setenta anos de música no violão desse cara, não se resumem em sete linhas. Mas minha singela homenagem foi buscar em “O quereres”, num histórico dueto com Chico Buarque, do antigo programa “Chico e Caetano” que ia ao ar numa noite da semana muito tempo atrás na Globo, uma rápida e sincera evocação do mito Caetano. Ele, se revelando e explicando porque levantou e ainda levanta tanta polêmica. A retórica é tão simples e óbvia, mas não há auto-retrato tão genial e inventivo de alguém que sempre encarou de frente público e a crítica, com uma franqueza clara e evidente.

http://www.youtube.com/watch?v=Njjeb2bN578

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Blindagem

Paulo Juk e Paulo Teixeira falam na Ótv dos 35 anos da banda Blindagem, da lendária banda “A Chave”, lembram do poeta Paulo Leminski, do compositor e vocalista Ivo Rodrigues, de Rolling Stones, de rock´n roll no Paraná e muito mais. Paulo Juk conta que batizou a banda de Blindagem num show, em Santa Catarina. Ele pensou: se Stones são pedras quer rolam, Blindagem é aço e aço não enferruja!!!

Tem uma palinha também, é claro!

http://www.otv.tv.br/video/passado-e-presente-homenageia-a-banda-blindagem/

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Eterna Elis

O músico Pedro Mariano, filho de Elis Regina e do maestro Cézar Camargo Mariano, promoveu uma bela homenagem à mãe. Reuniu alguns dos principais cantores brasileiros para um show e a gravação de um DVD, ontem à noite, em Curitiba. Nomes como Lenine, Paulinho Moska, Emílio Santiago, Rogério Flausino, Seo Jorge, Diogo Nogueira, Jorge Vercillo, o grupo Roupa Nova, a dupla Chitãozinho e Xororó e as lendas vivas da MPB, Cauby Peixoto e Jair Rodrigues.

Jair Rodrigues e Pedro Mariano no palco do Teatro Positivo, em Curitiba

Em entrevista ao vivo para o Paraná Tevê, Pedro contou que convidou apenas homens para interpretar canções que Elis gravou, para mostrar que o talento dela não se limitava ao universo feminino da MPB. O DVD deve eternizar um momento marcante nas homenagens à Elis Regina. Um timaço de intérpretes trazendo versões emocionantes das canções que Elis deixou para serem ouvidas sempre.  No espetáculo, batizado de “Elis por Eles, não faltaram as célebres “Arrastão”, “Como nossos pais”, “O Mestre sala dos mares”, “Dois pra lá, dois pra cá”, “Madalena” e, é claro, “O bêbado e a equilibrista”, cantada por Pedro Mariano.

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Medalha de axé no peito

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Não serei nem terás sido

Gastei algumas horas com o joystick na mão jogando River Raid. Os filhos eram pequenos, mas já conseguiam manejar a alavanca e o botão, que empurravam a gente pra frente num cenário gráfico de labirintos com aquele som característico de bip eletrônico e explosões que faziam a batalha parecer mais real! Hoje, a definição da arte gráfica dos video games é impressionante, principalmente pra quem viveu os primórdios, os tempos quase jurássicos dos consoles e comandos de mão.

E assim a vida foi caminhando, a passos rápidos, desde os 80´s. Tudo passou muito rápido, na velocidade das turbinas transoceânicas dos jatos. Outro dia, havia tempo pra sentar diante da tela e brincar. Hoje, não mais. Como se cada dia tivesse um minuto, uma hora a menos e as obrigações e as necessidades e todas as demandas, consumissem mais e mais do nosso (cada vez mais) escasso tempo.

Há quem diga que o tempo “é a gente que faz”. Eu acredito que o máximo que a gente consegue fazer é organizar a agenda e, em alguns momentos, definir uma ou outra prioridade. No mais, o tempo é o vilão, o relógio um algoz (e olha que há muito eu já deixei de usá-lo no pulso, pra tentar minimizar a pressão), tudo obra de uma ampulheta egoísta que alguém lembrou de acionar e que agora não há como conter a areia que escorre absurdamente veloz e afoita, numa contagem regressiva preocupante.

Sobre o Atari, temos uma reportagem na Revista RPC na noite deste domingo. Mostra o maior colecionador de cartuchos e consoles deste lendário video game, o Antonio Borba, que recebeu em Curitiba um cartucho que gira o mundo, passando de cidade em cidade, pelas mãos de aficcionados. Sobre o tempo, eu recorro a uma “conversa” inspirada de Caetano Veloso com “ele”, em forma de música, chamada “Oração ao Tempo”, aqui na voz de Djavan. Acho incrível o verso: “e quando eu tiver saído, para fora do teu círculo, tempo tempo tempo tempo, não serei nem terás sido, tempo tempo tempo tempo”! Um dia, é isso que vai acontecer com cada um de nós, não é?

http://www.youtube.com/watch?v=HRObN8U_ICg

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Sertão

“E, a alma, o que é? Alma tem de ser coisa interna supremada, muito mais do de dentro, e é só, do que um se pensa: ah, alma absoluta!”

“Sertão. Sabe o senhor: sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar. Viver é muito perigoso…”

“O senhor sabe? Já tenteou sofrido o ar que é saudade? Diz-se que tem saudade de ideia e saudade de coração…”

(Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa)

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hit da saudade

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“Se a gente não vê, não há” (duas do Gil)

“Não se incomode
O que a gente pode, pode
O que a gente não pode, explodirá
A força é bruta
E a fonte da força é neutra
E de repente a gente poderá”
(Gilberto Gil, Realce)

“O luar…
Do luar não há mais nada a dizer, a não ser
Que a gente precisa ver o luar
Que a gente precisa ver para crer
Diz o dito popular
Uma vez que existe só para ser visto
Se a gente não vê, não há
Se a noite inventa a escuridão
A luz inventa o luar
O olho da vida inventa a visão
Doce clarão sobre o mar
Já que existe lua
Vai-se para rua ver
Crer e testemunhar
O luar…
Do luar só interessa saber
Onde está
Que a gente precisa ver o luar”

(Gilberto Gil, A gente precisa ver o luar)

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Flores que a gente reggae (tô cansado de esperar)

Pra encarar os malas, os que prometem em vão coisas que nunca farão, pra exorcizar os males, pois assim nunca virão, pra nos livrar dos falsos, dos arrogantes, que arrotam o pão, o milhão, e não se dão ao trabalho de se olharem no espelho, de ouvirem a própria voz. Pra espantar os olhares, aqueles que não faço questão, pra afastar os vorazes com fome de gavião, os bandidos, os sacerdotes do ócio, os operadores do hospício, os que tramam genocídios em nome de um tal, pra neutralizar os odores insalubres, os sabores podres, os pobres fedores…Pra conclamar os anjos em prol de todos amores, trazer de volta aquela paz que um dia existiu, as cores que o criador usou pra colorir o universo, todos os versos, um mantra contra a dor, um hino com tesão e ardor que fale apenas de amor no refrão.

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