caminhada

img_20161213_155936911Olhando pro céu, além das folhas da palmeira, o universo se expande na crença de que há muito mais de bom pra vir, do que aquilo que veio e nos derrubou neste período. A crença de que há muita gente boa a iluminar a vida da gente. De que está pra chegar um tempo novo, de descobertas e possibilidades. O que já foi, valeu os muitos aprendizados. O que virá, valerá novos passos nesta caminhada. Quem quiser, que venha junto. Nesta trilha, há espaço pra muitas outras pegadas.

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Quem diria

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publique-se

A foto do seu cachorro. O olhar instigante do seu gato. O pôr do sol incandescente. O vovô todo sorridente. O neto que acaba de nascer. O filho na festinha de aniversário. Um corolário de intrigas, denúncias, desabafos, frases feitas. Poemas de botequim, atribuídos inadvertidamente ao poeta que nunca os concebeu. O resumo do folhetim, aquela foto chinfrim, quando não, um impagável mico leão. O pão que acabou de sair do forno, o risoto que só você comeu e gostou. Aquilo que você não gostou, mas agora achou coragem pra dizer. O cantor desafinado, a versão old school daquela canção. O candidato que você odeia, o login no aeroporto, no hall do hotel, no boteco, na sala de espera daquele super vôo, no hospital com a enfermeira que lhe furou a veia. A mulher porque é bonita ou feia; o homem gato, a cara torta, a bunda gorda, o mundo humano bizarro, a enciclopédia animal, tudo importa. A vassoura que a diarista deixou atrás da porta, a novidade velha, de três anos atrás, que você descobriu agora. A faca contaminada, a poeira cósmica, o quati voador ou uma das muitas lendas urbanas. A antiga lata de água raz, um monóculo, binóculo, uma fita K7 ou qualquer velharia que você já tenha usado e queira descobrir quem também usou. A imperdoável foto de sunga, biquini, saída de praia, chapelão e óculos escuros, como se fosse possível alguém não notar. Aquela cena inesquecível no altar, a outra com os padrinhos. A ofensa disfarçada, a indireta mesquinha ou no vale-tudo, aquele indigesto palavrão. Que se dane, que se publique. Porque vai bombar. Ou antes que um outro faça.

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indo pro sul

Uma tarde vazia pelo vazio das pessoas. Mas cheia de alento e esperança. Indo pro sul. E pronto. E basta. There´s no fog ahead.

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o pinhal

Eu tinha uns nove. Ela dezesseis. Era irmã de um guri da turma da praia do Pinhal, onde a gente passava as férias. Não lembro o nome dela. Nem do irmão. Lembro que eu deitava ao lado dela, na rede, nos fins de tarde. Enquanto a gurizada ia caçar rãs ou pegar isca pra pescar, a gente ficava ali, conversando. Primeira namorada? Claro que não. Primeira paixão? Olha, vou te dizer que naqueles momentos eu queria ser mais velho, sim. Ela ria do que eu dizia, mexia o cabelo que era liso e claro. E me dava atenção e carinho. O que um menino de nove anos podia querer mais? As férias daquele ano acabaram. Cheguei a levar o endereço anotado num pedaço de papel. Acho que o telefone dela também. Mas eu nunca mais a vi. Saudade? Saudade bateu agora, ao ouvir essa canção do Humberto Gessinger e do Duca Leindecker, que termina assim: “e agora o Pinhal, não tem mais a gente lá… eu volto pra lembrar que a gente cresceu na beira do mar…”!

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última que morre

Esse nosso tempo está cada vez mais estimulante, graças à tecnologia alucinante. O mundo na palma da mão. A rede que alcança a tudo e a todos. A liberdade de dizer o que penso, sem responsabilidade, nem punição. A democratização da mídia, uma página com meu rosto onde cultivo os meus amigos virtuais. As frases banais, ditas assim, como eu nunca diria pessoalmente. As fotos sensacionais do meu filho, da minha viagem, do meu cachorro. As frases atribuídas a Pablo Neruda, que ele nunca sonhou escrever. Por falar nisso, quem é mesmo Pablo Neruda??? Eu só conheço o “Pablo” Coelho!!!

São tempos de ciência avançada. Descobrimos que em Marte tem rios de água salgada. Mas continuamos poluindo e matando os rios aqui na Terra. Tempos de extremas contradições… E tempos primitivos, de violência e selvageria fora do controle. A guerra do tráfico, à qual todos já nos acostumamos. A guerra do trânsito, da qual somos valentes soldados. Ousados nas manobras arriscadas, porque EU tenho que chegar primeiro. Tenho que buscar meu filho na escola, tirar meu pai da forca, ou só porque ninguém mais sabe dirigir e está ali pra atrapalhar o meu caminho. As guerras que mutilam e matam aos milhões. O terrorismo fundamentalista, que ainda não chegou aqui, mas que domina certos países, semeando ódio, preconceito, morte e destruição. Em nome das causas mais absurdas que se pode imaginar. Ou a aparente ingenuidade dos menores que invadem a praia no arrastão do fim de semana. Porque todos nós já nos acostumamos. Porque não vai dar em nada, porque a regra aqui é a impunidade.

Esses tempos barulhentos. O que incomoda não é nem tanto a batida musical do funk. E que me perdoem os que gostam de funk. Gosto musical é coisa subjetiva, de cada um. Mas o que dói no ouvido é o que diz a música que, entre outras coisas, classifica as mulheres como popozudas, preparadas e cachorras. Exalta o poder do fuzil, ostenta a estética da transgressão, naquilo que existe de pior. Experimente ir num baile funk pra ver. E não ouse errar o caminho traçado por aquela voz feminina eletrônica do GPS: se ela te levar pro reduto inviolável do crime, você pode morrer. O funk não é o vilão da história, é só uma expressão cultural, de shortinho curto e muito brilho. E até inspira discursos no Congresso. Ah, o Congresso… esse merece um filme, porque é quase uma obra da ficção. Só que não, ali está o país, nu e cru, com os seus, os nossos representantes eleitos.

Tempos de profunda inquietação. Em que a notícia da vez é a corrupção, em forma de propina. E o melhor argumento em defesa dessa conduta criminosa é de que ela sempre existiu. Dizem que estava em todos os governos, sempre esteve na Petrobrás, nas empreiteiras e…por que punir agora??? Vivemos tempos inacreditáveis. A estrada parece às vezes não ter saída. Apenas bifurcações. Neste caminho, seremos roubados, humilhados, desrespeitados. Naquele outro, pode ser tudo isso e ainda mais.

Agora estamos em tempos de crise. Uma nova crise, entre tantas que já tivemos. Crise parece ser a nossa rotina. Quase um sinônimo de Brasil!!!! Foi assim que aprendemos a sobreviver, a fazer milagres com o orçamento da família, a dar os nossos pulos, como o pessoal gosta de dizer. A crise pode ser passageira. Uma exceção. O que incomoda é ver a riqueza deste país, mal usada, mal empregada, mal administrada. Ver a educação pública indo pro buraco, enferrujada e maltratada. Como se não houvesse futuro. Ou ninguém se preocupasse com ele. Estamos desperdiçando gerações e gerações, há anos, há décadas. Quem sabe o arrastão, o funk, a propina, a corrupção, a violência, a política do toma-lá-dá-cá, a indulgência não são reflexos disso?

Mas também é um tempo de esperança. Porque tem muita gente boa por aí. Muita gente honesta, muita gente competente, muita gente de fé. Não me pergunte porque, mas o BEM, essa entidade mítica, que desafia definição, existe e opera seus milagres. É preciso ter esperança na ESPERANÇA. Não dizem que ela é a última que morre?

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O Tejo e seu além

2015-08-03 15.08.56

Cada rio é um universo de água rasgando a terra, matando a sede de gentes, bichos, sementes e folhas. Se deixando navegar ou não. De cada rio se pode dizer um mundo, contar histórias, lendas de profundezas e superfícies. O Tejo não é um Amazonas, nem um Nilo. O Tejo é único e muitos. O Tejo não admite comparação. Se espalha e domina a paisagem. Ele é um mundo. Determinou a geografia desta terra Portugal e de outras terras e ainda a mantem, guardião de si mesmo, da pátria. Castelhano e lusitano, uniforme em seu azul, caudaloso, doce e sal, ao tragar e invadir o mar. O Tejo é um mar. É seu próprio mar, que tem na beira uma Lisboa. O Tejo é um fado, é o flamenco a bater castanholas, a sapatear. E é silêncio também. Para cruzar o Tejo, é preciso paciência e sabedoria. Porque do lado de lá, há um além, onde um outro mundo começa. O Alentejo.

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