pé na areia

Ao ver esta foto, um amigo sugeriu que eu havia “pendurado as chuteiras”. Sabe aquela coisa de querer ver algo além da imagem?  Mas não. É apenas um velho par de tênis, que eu costumo usar pra dar as minhas caminhadas na praia. Pode molhar, pode rasgar, é pra pisar mesmo.

Mas tem horas que a gente precisa ficar descalço, pôr o pé na areia. Sentir a água avançando e trazendo junto um pouco de sal. O spray marinho, como me falava o biólogo Ricardo Nehrer, tem poder curativo, ajuda na higiene mental. O resto, o mar se encarrega de promover. E à medida que os passos vão ganhando ritmo, a gente se liberta do peso e a cabeça alça vôo.

A praia, de um modo geral, me faz muito bem. Tenho uma relação com ela desde pequeno. As caminhadas na orla, assim, pé no chão, me valem como meditar. Sozinho, me levam a refletir sobre tudo aquilo que em condições normais “não dá tempo”! E sempre sai algo novo dali. Em tempos de pandemia da Covid-19, as praias estão interditadas por medida de segurança. Mas quando isso tudo passar, meus pés tem um encontro marcado. Pra ser sincero, acho que as minhas pegadas já estão lá.

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No meio do mundo

O pátio do Colégio em São Paulo estava lotado. Em 1977, nos meus 16 longos anos de vida, era a primeira vez que veria ao vivo um show de Moraes Moreira, depois que ele deixou os Novos Baianos. Em disco, eu já tinha ouvido tudo que ele havia gravado. E eu era fã, seguidor fiel da trupe baiana, então, Morais com uma nova banda era um show imperdível.

Foi uma noite memorável. E aquela plateia instigada, dançou da primeira à última música. O som de Moraes era um swing elétrico de não deixar ninguém parado. Balançava até as portas e as janelas da escola. Fazia os vidros vibrarem. E a alma da gente também. Eu estava com um amigo roqueiro, que só sabia ouvir o peso do metal. E até ele curtiu aquele ritmo que trazia as cores de uma fusão musical quase completa. Do xaxado ao samba. Da bossa nova ao pop. Do baião à marchinha de carnaval. Do frevo ao reggae. Não era à toa que um dos músicos da banda era Armandinho, o inventor da guitarra baiana. O axé, como se conhece hoje, ainda não existia, mas acho que já estava ali à espreita bebendo daquela fonte. Dali em diante, Moraes produziu uma obra de grandes canções, carregadas de uma força poética universal e de uma alegria genuinamente popular.

A memória é traiçoeira, ainda mais levando em conta esse tempo todo. Mas o show terminou com uma versão alucinante de Preta Pretinha, mais elétrica e rápida do que eu já tinha ouvido. E no auge da empolgação, Moraes chamou e eu subi ao palco com alguns outros malucos. Cantamos ao lado dele, batendo palmas e sacudindo a cabeleira. O show bombou, embora as redes sociais ainda não existissem e nem essa expressão com o significado de hoje. Mas muita gente comentou e festejou aquela nova fase da carreira de Moraes. Naquela época, o sucesso em São Paulo era sucesso no Brasil inteiro.

No dia seguinte, passei na banca pra comprar um exemplar da Folha da Tarde, um antigo vespertino paulistano que eu costumava ler. E na foto principal em preto e branco, com a matéria do show, lá estava eu, ao lado do microfone do cara. Mostrei pra minha mãe que, incrédula, queria saber como eu tinha conseguido fazer parte daquele momento.

Confesso que eu fiquei alguns dias com aquela sensação de êxtase de estar tão perto de um dos meus ídolos mais queridos. E aqueles versos ecoavam sem parar na minha cabeça. Depois, fui a vários outros shows do Moraes em São Paulo, em que ele tocava acompanhado da Cor do Som, com os irmãos Dadi e Mu Carvalho, além do mestre Armandinho, entre outros músicos.  Uma banda que tinha muito a ver com ele.

Hoje, 13 de abril de 2020, 43 anos depois, recebo a triste notícia da partida de Moraes Moreira, que nos deixou aos 72 anos, ainda compondo e cantando, em plena atividade. E com o coração apertado, não consigo ouvir a versão clássica, original de uma das canções mais lindas que conheço: Acabou Chorare, do disco com o mesmo nome, gravado em 1972. Um poema musical ingênuo, quase angelical, mas que traz uma pegada hippie na sua essência de celebração da vida, quando se abre a janela de “manhã cedinho” e se vê o sol, embalado pelo mais puro som da natureza.  Essa canção me acompanha desde lá e me faz pensar num sofrimento, numa “barra pesada” que termina e depois que passa, fica “tudo lindo”. É assim que eu espero que você esteja agora, Moraes Moreira. Livre e leve, respirando fundo, no “meio do mundo”, já que “foi-se tudo pra escanteio”.

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Pétala de flor (by Gui Vianna)

Nova música do Gui Vianna, guitarrista, compositor e cantor que merece tocar em todas as rádios. Curte aí… Se gostou, compartilha.

https://open.spotify.com/track/3Oyipbyz38C7vIVPst7RDn?si=ZeWGEdjxQOOcq0kge2v5iA

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Bora fugir (agora o vídeo)

Espero que você não fuja depois de ouvir…

 

https://www.facebook.com/fernandoparracho1/videos/469655323753474/

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A gente também canta

Som de Natal, dia 08/12/19, no Cindacta II, em Curitiba. Público de mais de 15 mil pessoas. Se alguém, um dia, me dissesse que eu estaria na frente de um plateia como essa cantando, eu diria: você está louco! Nunca! Quero agradecer aos músicos e às pessoas que estiveram lá, pela paciência e pelo carinho. E lembrar: “nunca diga nunca!” As coisas acontecem e quando você menos espera, já foi! E foi bom!

P.S.: Qualquer hora eu posto o vídeo tá?

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sonhar

http://g1.globo.com/pr/parana/paranatv-1edicao/videos/t/curitiba/v/fim-de-ano-e-tempo-de-reflexoes-e-tambem-de-sonhar-com-dias-melhores/7267670/

SONHE COM A FORTUNA, SONHE COM A VIRADA.
SONHANDO COM AS FÉRIAS, MERGULHE DE ALMA E CORAÇÃO, SÓ NÃO VALE SE AFOGAR.

SONHE COM A VIAGEM DOS SONHOS, DE CARONA COM O VENTO OU NOS BRAÇOS DE UMA AVENTURA SOBRE RODAS.
PENSE NUM LUGAR AO SOL, QUE MUITA GENTE NÃO TEM. COM UM PEDAÇO DE  CHÃO PRA MORAR. PENSAR QUE TEM GENTE VIVENDO SOZINHA A DURA ROTINA DAS RUAS E, MESMO ASSIM, NÃO DEIXA DE SONHAR.

MAIS DO QUE PENSAR, PRATICAR, COMPARTILHAR A SOLIDARIEDADE. E QUEM SABE AJUDAR TAMBÉM OS OUTROS A REALIZAREM UM SONHO.
SONHAR COM A INFÂNCIA, UM TEMPO DE MAIS AMOR, MAIS TOLERÂNCIA, MENOS VIOLÊNCIA.

SONHAR COM O TRANSPORTE DE CADA DIA. PARA QUE O EXPRESSO NÃO ATRASE, NÃO VENHA LOTADO… QUE O “LIGEIRÃO” NÃO DEMORE A CHEGAR.

PENSAR NUM JEITO DE COMEÇAR TUDO DE NOVO. ALIVIAR O SOFRIMENTO, UMA DOR QUE PODE SER A SUA OU A DE ALGUÉM. DEPOIS DE UM VENDAVAL, COMO TER FORÇAS PRA SEGUIR EM FRENTE, PRA CONTINUAR?
ENCONTRAR UMA FORMA PARA QUE TODOS TENHAM O DIREITO DE SE MOVIMENTAR.

PENSAR NUM TEMPO COM MENOS BURACOS NO NOSSO CAMINHO.
QUE MAIS SOLUÇÕES ESTEJAM A CAMINHO.

SONHAR COM TUDO O QUE NÓS AINDA PODEMOS FAZER JUNTOS.
IMAGINAR QUE O FUTURO ESTÁ AÍ, A CADA PASSO QUE A GENTE DÁ.
E POR MAIS DIFÍCIL QUE PAREÇA, QUE SEJA UM TEMPO EM QUE SE TORNE MAIS FÁCIL PERDOAR.

E JÁ QUE UM ANO ESTÁ PRA COMEÇAR, QUEM SABE ABRIR A JANELA, DEIXAR PRA LÁ O QUE NÃO DEU CERTO, O QUE FICOU PARA TRÁS.
TRAZER PRA PERTO O QUE PODE DAR CERTO.
LEMBRAR QUE A CADA INSTANTE, TUDO COMEÇA. E O TEMPO QUE RESTA É A GENTE QUE FAZ.

 

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Mate!

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Todo dia, de manhã, pra espantar o sono, pra acordar. Ver raiar o sol ou lamentar o tempo fechar. Pra ter ideia, em meio à dúvida… pra acreditar. Pra fazer pensar, pra refletir, sentir o amargo da razão invadir o paladar. Ou no cair da tarde, pra ver o sol se debruçar no horizonte, longe. Pra dividir, compartilhar, na mão o gesto amigo de estender a cuia à outra mão que espera. Líquido verde e quente dos xamãs, que vem da folha da floresta, percorre o pampa e ganha outros lugares a perder de vista. Um gole de paz, que se faz necessário mais do que nunca. Bebida charrua, que se inicia quando a chaleira “chia” e a água escorre lenta pela parede do porongo. “O mate tá pronto”, como dizia Dom Cândido, nas manhãs geladas da fronteira, ao ver Sant´Ana pela porta que se abria. Que venha o dia, no brilho forte de uma manhã campeira.

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