Não serei nem terás sido

Gastei algumas horas com o joystick na mão jogando River Raid. Os filhos eram pequenos, mas já conseguiam manejar a alavanca e o botão, que empurravam a gente pra frente num cenário gráfico de labirintos com aquele som característico de bip eletrônico e explosões que faziam a batalha parecer mais real! Hoje, a definição da arte gráfica dos video games é impressionante, principalmente pra quem viveu os primórdios, os tempos quase jurássicos dos consoles e comandos de mão.

E assim a vida foi caminhando, a passos rápidos, desde os 80´s. Tudo passou muito rápido, na velocidade das turbinas transoceânicas dos jatos. Outro dia, havia tempo pra sentar diante da tela e brincar. Hoje, não mais. Como se cada dia tivesse um minuto, uma hora a menos e as obrigações e as necessidades e todas as demandas, consumissem mais e mais do nosso (cada vez mais) escasso tempo.

Há quem diga que o tempo “é a gente que faz”. Eu acredito que o máximo que a gente consegue fazer é organizar a agenda e, em alguns momentos, definir uma ou outra prioridade. No mais, o tempo é o vilão, o relógio um algoz (e olha que há muito eu já deixei de usá-lo no pulso, pra tentar minimizar a pressão), tudo obra de uma ampulheta egoísta que alguém lembrou de acionar e que agora não há como conter a areia que escorre absurdamente veloz e afoita, numa contagem regressiva preocupante.

Sobre o Atari, temos uma reportagem na Revista RPC na noite deste domingo. Mostra o maior colecionador de cartuchos e consoles deste lendário video game, o Antonio Borba, que recebeu em Curitiba um cartucho que gira o mundo, passando de cidade em cidade, pelas mãos de aficcionados. Sobre o tempo, eu recorro a uma “conversa” inspirada de Caetano Veloso com “ele”, em forma de música, chamada “Oração ao Tempo”, aqui na voz de Djavan. Acho incrível o verso: “e quando eu tiver saído, para fora do teu círculo, tempo tempo tempo tempo, não serei nem terás sido, tempo tempo tempo tempo”! Um dia, é isso que vai acontecer com cada um de nós, não é?

http://www.youtube.com/watch?v=HRObN8U_ICg

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Esse post foi publicado em "Time and a word", Dasantiga, Trilho sonoro. Bookmark o link permanente.

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