nada a dizer…. só ouça

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A chave da partida (por Cidade Negra). Já foi.


Canções, nossa trilha sonora que aqui eu chamo de “trilho sonoro”, ideia de caminho, que se segue pra frente, deixando estações para trás. Vida que se conquista a cada metro percorrido. O que se passa, o que já foi. Se vai voltar, ninguém sabe. Esta, em especial, é outra daquelas em que as palavras ganham novo significado. Já foi. Expressão que encerra algo que ainda não sei bem o que é, mas que vai se definindo com clareza cada vez maior como aquilo com que não dá mais pra conviver. Como aquela situação que esgotou o tempo, o espaço, a necessidade, foi além de tudo o que poderia ser razoável. Pode ser o velho “já era”, “o eterno é”, como diz o mestre Gilberto Gil. Aquilo que assume formas novas e diferentes a cada minuto, a cada novo despertar. Hoje é o primeiro dia de um novo trilho, sim. O resto, já foi. O que vier, será. “Não adianta achar a chave da partida, se você não está disposto a correr…”

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Vento Negro (Kleiton, Vitor e Kledir Ramil)

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“Não podemos nos dispersar”

As coisas vão ficando claras:

-Não existem adivinhos pra dizer o que vai acontecer nos próximos dias, nos próximos meses, os profetas se calaram. Os “líderes” tradicionais preferiram silenciar, por não ter o que dizer. Eles se encastelaram em sua própria mediocridade.

-O povo está aprendendo a se representar nas ruas, sem partidos, sem agremiações que pretendam responder pela massa ou que estejam sonhando em liderar as manifestações.

-A selvageria, o vandalismo, infelizmente, fazem parte da nossa realidade. Os bandidos e arruaceiros se aproveitaram dos ventos do “Bem” para exercitar a barbárie. As depredações são uma extensão da violência diária ao qual o cidadão comum está exposto: arrastões, assaltos, terrorismo incendiário, ladrões, punguistas, traficantes, assassinos e outras formas de crimes e criminosos. Isso só reforça a necessidade de melhorias drásticas na nossa educação, das escolas, das pessoas, das famílias. Isso pode levar décadas, mas é preciso começar.

-As ruas colocaram os políticos em xeque. Por enquanto não é xeque-mate, mas o “rei” está em perigo, o domínio do jogo ameaçado.

-Uma ampla parcela da população quer o combate duro à corrupção, à gastança desmedida, irresponsável, sem transparência. Todos estão cansados.

-O desenvolvimento do país nos últimos anos foi importante, mas não suficiente.

-A organização da vida urbana foi definitivamente alterada, balançada, questionada. Isso inclui transporte coletivo, mas de forma mais abrangente, mobilidade, segurança, espaço para mobilizações.

-A polícia precisa ser valorizada, melhor preparada, equipada. O povo pede uma polícia cidadã, menos repressora, mais eficiente, mais pacificadora. As forças policiais também foram postas à prova.

-O país tenta se entender, ouvir e interpretar seus próprios clamores. O Brasil se volta pra si mesmo, olha para o próprio umbigo, vive um conflito visceral. Isso em princípio desorganiza, mas no longo prazo pode nos beneficiar, amadurecer.

-Não é a lei que nos atrapalha, é não cumpri-la de maneira exemplar o que nos envergonha, decepciona, revolta. Principalmente no caso dos poderosos, corruptos e corruptores.

-A violência, a exasperação e a loucura não podem superar, menosprezar ou obscurecer a ESPERANÇA. O inverno está só começando. Mas depois dele, virá a PRIMAVERA. Tempo de florescimento, novo vigor da natureza, vida nova que surge à luz do sol. Só para lembrar o discurso de Tancredo Neves, ao assumir a presidência, se referindo à imensa mobilização do povo nas ruas pelo Movimento “Diretas Já”: Não podemos nos dispersar!

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A primavera nublou?

Protestos, passeatas e manifestações em todo o país lançaram no ar a esperança de que a população descobriu a sua força. Aprendeu o caminho de levar às ruas  reivindicações justas, como a redução do preço do transporte coletivo ou simplesmente para demonstrar insatisfação com a forma como o dinheiro público é aplicado, o exagero e a falta de transparência nos gastos dos governos, sobretudo nas obras da Copa do Mundo e, tão importante quanto, o desabafo e a revolta contra a corrupção e a impunidade, contra os políticos, voltados apenas para os interesses próprios, dos partidos e grupos no poder e apartados dos anseios do povo e das reais demandas dos eleitores.

Mas a escalada de atos violentos, de vandalismo gratuito e depredações de prédios históricos, públicos, patrimônio de todos os brasileiros, é uma demonstração de que os manifestos derraparam na fúria rebelde e sem causa de alguns. Imagens mostram todos os dias homens de rosto coberto por máscaras e camisetas, escondendo a identidade para apedrejar, dar pauladas, incendiar e destruir. Ações que só fazem lembrar bandidos e terroristas, especializados em tomar ônibus de assalto, roubar passageiros, criar pânico e tumulto, explodir o que tiver pela frente, saquear e promover quebradeira.

O que se espera é que os vândalos sejam minoria. Que não estejam sendo estimulados, comandados, monitorados por gente que só quer ver a coisa desandar. E que pode estar rindo de tudo isso, satisfeita em criminalizar um movimento que aparentemente nasceu espontâneo e livre, sem partidos, sem violência, um movimento social legítimo. O que se espera é que os manifestantes que levaram às ruas o grito de esperança, não aceitem a perigosa carona dos radicais, dos que atiram a pedra na vidraça só pelo prazer de ouvir os estilhaços. Quem vai juntar os cacos, os pedaços de um movimento enfraquecido pelo terrorismo urbano? Será que a primavera nublou, na noite escura da ignorância?

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Santa Maria (por Marcelo Canellas)

O rio da nossa aldeia e as pessoas do nosso chão. Canellas propõe um belo jeito de recomeçar. Recomendo a leitura, porque assim é o nosso Brasil.

http://www.clicrbs.com.br/dsm/rs/impressa/4,1304,4169863,22171

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Sem gênio, com Neymar

Sim, Neymar é um craque. Não, ele não é Pelé, nem Garrincha, nem Zico, Sócrates, Ronaldinho Gaúcho, Romário ou Ronaldo. Ele é Neymar e só precisa que deixem ele ser Neymar. Tem o talento, a técnica, a categoria e a juventude, sua principal aliada. A bola está à procura de novos pés, que a tratem como antigamente. Deixa o Neymar jogar, põe a 10 nas costas dele. Mas tenhamos paciência, porque cada craque tem a sua hora. Se não temos um “meiuca” clássico, um Didi ou um Tostão, um Cacá em seu áureos tempos ou um Rivaldo, se não temos nenhum gênio, vamos ter fé que temos 11 muito parelhos, capazes de encarar qualquer adversário. E se do Olimpo do futebol, as divindades da bola nos ajudarem e derramarem naquela grama as suas bênçãos de “torcedor”, quem sabe a camisa 10 desse menino não encarna a alquimia mágica de um Pelé, a sublime irreverência de um Garrincha? Dá-lhe Neymar, vai pra cima deles!

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Saco cheio

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Não se deve ter a pretensão de explicar a onda de protestos dos últimos dias em várias capitais, principalmente em São Paulo. Isso exige um estudo aprofundado. Mas eu tenho pensado sobre alguns ingredientes envolvidos nessas manifestações sociais. Violência é um multiplicador diabólico, empurrado por gente  que quase sempre é do mal. Uma pedrada é respondida com bombas de gás e tiros. Um spray na cara irrita e revolta. Quando existe abuso de um lado, lei da ação e reação, vem exagero do outro. O ser humano está em formação, ainda não saiu da pré-história. Aqui, na nossa imperfeita latitude, neste Brasil que não se conhece, vidro quebrado, vilania e depredação viram troféus da nossa ignorância. Faltam policiais preparados para trabalhar nesta época em que vivemos, de grande tensão. As forças sociais se fortalecem e se movimentam com grande rapidez. O transporte coletivo que faz muita gente sofrer, pode ser o arranque inicial, mas depois de ligado, esse motor vai produzir outras explosões de insatisfação e questionamento, novos temas, outras demandas. Gente demais, junta nas ruas, uma intenção por trás (ou várias forças agindo ao mesmo tempo), agressões, pauladas e quebra-quebra não são exclusividade nossa. Vai ver na Europa, na Asia, no Oriente Médio. Faltam educação e civilidade, e transborda radicalismo. Sobra arrogância política. Gestores públicos incompetentes. Um estado-polvo que precisa se organizar, se reinventar. A onda quebrou na praia, virão outras atrás, talvez o mar esteja de ressaca. O povo de saco cheio.

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Coração partido

CazuzaZezé ministrava a disciplina de ciências sociais na faculdade. Primeiro dia de aula, o professor de outra cadeira faltou, ela “abraçou” duas turmas num plenarinho da Famecos, uma sala maior mais usada para seminários e palestras. Baixinha, “arretada”, inquieta, Maria José, Zezé como costumava ser chamada, fez o que tinha que fazer diante daqueles estudantes igualmente inquietos, inquietantes: pediu uma redação, com o tema partidos políticos. Muitos coçaram a cabeça, outros continuaram no maior papo, alta voz, alguns não estavam nem aí e uns poucos levaram a sério a tarefa. Fui um deles. Caneta em punho, comecei meu texto citando Cazuza: “O meu partido é o coração partido…” E lancei ao papel minhas frases falando de indignação com o comportamento dos políticos, com o fisiologismo das agremiações partidárias. “Parte é só um pedaço -lasquei-, partido é o que já está quebrado, separado em partes, pra mim eu quero o todo, eu quero tudo”, ironizei. Dia desses prometo procurar nos guardados antigos esse texto, que reli uns tempos atrás, no original, com o comentário surpreso da Zezé, dizendo que tinha gostado da ousadia, do estilo e retrucando com uma esperança no futuro da política partidária do país, na democracia em que ela um dia acreditou (todos nós um dia acreditamos).  Tô sem notícias da Zezé e confesso que isso me incomoda. Saudade dela, saudade também dos tempos da esperança. Hoje talvez, Zezé, eu abrisse o texto com algo mais ou menos assim: “O meu partido se chama decepção”.

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Dois mestres

foto(1)Duas pessoas de grande respeito. Dois profissionais admiráveis, cada um em sua área. Mas com autoridade pra falar sobre qualquer assunto. Edivio Batistelli, engenheiro agrônomo e indigenista, 36 anos dedicados -como ele mesmo diz- à causa (dos povos indígenas). Jorge Narozniak, o nosso Jorjão (“bigode” para os íntimos!), grande jornalista, faro para boas histórias, grandes personagens, o lado curioso e, principalmente, humano das reportagens. Minha admiração, devoção e reconhecimento a estes dois grandes mestres.

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