A primavera nublou?

Protestos, passeatas e manifestações em todo o país lançaram no ar a esperança de que a população descobriu a sua força. Aprendeu o caminho de levar às ruas  reivindicações justas, como a redução do preço do transporte coletivo ou simplesmente para demonstrar insatisfação com a forma como o dinheiro público é aplicado, o exagero e a falta de transparência nos gastos dos governos, sobretudo nas obras da Copa do Mundo e, tão importante quanto, o desabafo e a revolta contra a corrupção e a impunidade, contra os políticos, voltados apenas para os interesses próprios, dos partidos e grupos no poder e apartados dos anseios do povo e das reais demandas dos eleitores.

Mas a escalada de atos violentos, de vandalismo gratuito e depredações de prédios históricos, públicos, patrimônio de todos os brasileiros, é uma demonstração de que os manifestos derraparam na fúria rebelde e sem causa de alguns. Imagens mostram todos os dias homens de rosto coberto por máscaras e camisetas, escondendo a identidade para apedrejar, dar pauladas, incendiar e destruir. Ações que só fazem lembrar bandidos e terroristas, especializados em tomar ônibus de assalto, roubar passageiros, criar pânico e tumulto, explodir o que tiver pela frente, saquear e promover quebradeira.

O que se espera é que os vândalos sejam minoria. Que não estejam sendo estimulados, comandados, monitorados por gente que só quer ver a coisa desandar. E que pode estar rindo de tudo isso, satisfeita em criminalizar um movimento que aparentemente nasceu espontâneo e livre, sem partidos, sem violência, um movimento social legítimo. O que se espera é que os manifestantes que levaram às ruas o grito de esperança, não aceitem a perigosa carona dos radicais, dos que atiram a pedra na vidraça só pelo prazer de ouvir os estilhaços. Quem vai juntar os cacos, os pedaços de um movimento enfraquecido pelo terrorismo urbano? Será que a primavera nublou, na noite escura da ignorância?

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