O Senhor dos pastéis (e o guardião da Guarda)

Bar do Evori. Se você ainda não conhece, venha aqui!

É como voltar ao tempo em que os cabelos eram todos longos, alguns black power, qualquer pano nos vestia e a gente só queria viver em paz, curtir e amar. A sociedade era um inimigo que se podia vencer ou, pelo menos, viver à margem, sem se contaminar com as suas doenças. Este lugar é como se tivesse dominado o tempo, feito dele uma régua velha, apagada, que já não serve mais. No canto da praia, está o Evori, que fez do velho barraco de pesca um bar dos mais charmosos do litoral. E lota, todo verão. Só dá pra dizer que ele é um comerciante porque vende suco, cerveja e pastel. Mas o Evori é um benfeitor da praia. Ele é um farol, um sinal de que o tempo passou, mas ainda estamos vivos. Ao lado de Dalva, guerreira incansável, e de uma trupe de fiéis ajudantes, ele faz o melhor pastel do paraíso. Ele cuida da praia, limpa, varre, não deixa sujeira no chão. E abre as portas todos os dias para ser o point do verão. Desde os 70, quando eu ia pra Pinheira (sempre menos do que eu gostaria), que o Evori é o mesmo cara. Um olhar de quem conhece as coisas da terra, da praia, do mar. Hoje, dono do bar, mas sempre um guardião da paz e da tranquilidade do lugar. Muito frequentado por globais, artistas, músicos de todo o país. Todos fãs do Evori, como não poderia deixar de ser. Se você ainda não foi, vá, porque as leis ambientais vão expulsar dali o guardião da praia. E quem vai vender os pastéis do paraíso, quem vai matar a sede quando o sol chegar? A Guarda vai ficar desprotegida dos piratas e sem o seu mais ilustre morador, seu maior defensor.

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Rio, mar e alma.

Rio da Madre, que corta a Pinheira e deságua na Guarda

“…O que nos leva à errância quando bem podíamos ficar quietos? …Por que temos gosto em ficar parados em vez de deambularmos constantemente? Ficar é a excepção. Partir é a regra. O Homo Sapiens sobreviveu porque nunca parou de viajar. Dispersou-se pelo planeta, inscreveu a sua pegada depois do último horizonte. Mesmo quando ficava, ele estava partindo para lugares que descobria dentro de si mesmo.” (Mia Couto, em “E se Obama fosse africano?”)

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Ooooooh lugar…

A trilha que leva à Guarda do Embaú, litoral de Santa Catarina

O adesivo colado na cabana do Sandrinho sobre uma foto da Guarda, diz tudo: Ooooooh lugar! Expressão que dispensa tradução, mas muito bem usada pelo Adones Santiago, o mago do SK8, que amarga a saudade nas ramblas de Barcelona, toda vez que posta uma foto de lá ou de um outro point, que mereça o título. A Guarda é mágica, estupenda, exuberante…(e pra usar uma outra expressão que os que frequentam vão conhecer) um desbunde!

 

 

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Meu Paraná vai a Antonina e Paranaguá

Paranaguense ou parnanguara? Antoninense ou capelista? Remar o caiaque na Ponta da Pita. Ouvir o bagrinhês legítimo às margens do Itiberê. Pode ser bom passar uma tarde em Itapoã, mas comer um barreado em Antonina também vale a pena.

http://redeglobo.globo.com/pr/rpctv/meuparana/videos/t/edicoes/v/meu-parana-visita-as-historicas-paranagua-e-antonina/1816085/

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Diga lá, meu coração

Eu falo de um certo Gonzaga. Eu lembro de um certo Luiz. Houve uma vez uma compositor e cantor nesse Brasil de meu Deus, que se chamava apenas Gonzaguinha. E das cordas daquele violão saíam acordes rudes, secos, embalados numa emoção construída com a dor e a saudade, com o amor que não nasce da rima fácil ou do refrão barato. O cara, rebento da árvore sagrada do velho Gonzaga, o rei do xote e do baião, marcou a música popular brasileira com a lâmina da paixão e da verdade, do sentimento puro e sem disfarce. Um cara que sempre defendeu a liberdade e a democracia num país que, à época, era dominado pela face mais obscura da farda. Num show em Porto Alegre, lá pelos idos de 1979, ele parou a música e disse: “As mudanças mais importantes, mais necessárias, não vem apenas da revolução. Não devemos esperar pela revolução e nem morrer por ela. O que a gente precisa é trabalhar todo o dia pelas mudanças. É no encontro de amigos, de companheiros, no trabalho, no bate papo da esquina, na praia, na praça, nas conversas no sindicato, na igreja, no ponto de ônibus, na mesa do bar que, todos os dias, a gente muda o país…”

Ele já se foi, partiu desta num acidente brutal de carro, voltando de um show numa estrada no interior do Paraná, vai fazer 12 anos já. Mas deixou pra gente uma obra rara. Gonzaguinha faz falta e, certos dias, a voz dele invade o ambiente sem pedir licença, cantando canções de rasgar o coração, entoando o aboio da vida.

http://www.youtube.com/watch?v=GnNSHpZrTHo

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Tribunal do júri

O réu senta na cadeira maldita. Mas tudo o que ele diz é parte de um script muito bem escrito e paginado pela defesa. Em nenhuma linha, comprometido com a verdade dos fatos, com o que aconteceu, com a motivação para matar ou com os detalhes sombrios da cena do crime. Parece que o único interessado em apresentar uma versão mais próxima da realidade é o promotor, pago pelo estado para acusar. Vem a leitura do processo…milhares de páginas de um livro monótono, recheado do que eles conseguiram transformar em provas. Vem os discursos inflamados de um lado e de outro, um roteiro teatral onde vale quem fala mais alto, quem interpreta melhor. O juiz, do alto do trono e investido da toga, observa, conduz o espetáculo. No decorrer de um processo comum, Sua Excelência já teria interpretado a lei conforme os seus preceitos pessoais, suas convicções inquestionáveis e já teria proferido o seu julgamento. As testemunhas, de um lado e de outro, são sempre rigorosamente convocadas (às vezes, inventadas), bem treinadas, tenham ou não algo verdadeiro a acrescentar para elucidar os fatos. Os jurados, escolhidos entre os cidadãos da sociedade, devidamente cadastrados no sistema judiciário… mais homens ou mais mulheres? Mais velhos ou mais jovens? Tudo depende de muitas variáveis. A defesa usa todos os artifícios possíveis e inimagináveis para livrar o acusado da pena, sem importar se foi ele que cometeu o crime. O “direito” é assim. Afinal, isso não é o mais importante. É apenas um detalhe num intrincado jogo de poder, que envolve dinheiro, algumas vezes relações onde a ética e a moral são postas de lado. Um bom advogado, especialista em júri, faz isso com maestria, influencia e ilude os jurados, coadjuvantes mais do que manipuláveis. E depois de dias de julgamento, sob os holofotes atentos (ou nem tanto) e de acordo com a “repercussão” do crime, outro fator preponderante, sai o veredito. Mas lembre-se: sempre cabe recurso ou uma tentativa de anular o resultado. A Justiça fez a sua parte. Se foi justa ou não, quem vai questionar?

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Sonzeira

Banda "Serviço de Preto", tocando Stevie Wonder no Jokers, 10/2/12

O soul e o funk balançados de Stevie Wonder numa interpretação magistral da Banda “Serviço de Preto”, com Fabrizio Rosa nos vocais e músicos de grande talento. “Mary wants  to be a superwoman”… e “You are the sunshine of my life” me fizeram lembrar de bons tempos, quando o funk animava nossas festas e o swing, o romantismo e o bom humor de caras como Stevie Wonder, James Brown e de grupos como KC and the sunshine band, ou Stylistics,  faziam a cabeça da gente.

Obs: Quando digo funk, digo funk e não esse tal de “funk carioca”, que eu abomino.

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Entenda o futebol americano

Acompanhe os melhores lances com a narração impecável em legítimo português cuiabano!

http://www.youtube.com/watch?v=zuilH8TKRaw

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Contradição Brasil. Maldição Brasil.

Um trem lotado enguiçou na manhã desta quinta-feira, no subúrbio carioca de Sampaio. Os passageiros se revoltaram, ocuparam os trilhos e enfrentaram a polícia. O tumulto se alastrou e, na estação, os manifestantes invadiram a sala de leitura, saquearam os livros, destruíram tudo. A sala de leitura era uma iniciativa pioneira (um projeto piloto) patrocinado pela empresa concessionária dos trens no Rio de Janeiro, para estimular a população que utiliza o trem a ler, a ter contato com os livros. A ideia era implantar outras salas em outras estações. Dezenas de pessoas já haviam se inscrito na biblioteca para retirar livros para leitura durante a viagem, na volta pra casa. Uma demonstração de que havia gente interessada em ler e o projeto poderia dar certo. A revolta era contra a baixa qualidade do transporte de trem no Rio. Mas os vândalos enfurecidos atacaram a biblioteca.

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Reencontro com a alma ucraniana

Prepare-se para se emocionar com a história de Iván. O retorno de um homem à sua pátria, 68 depois. O ex-guerrilheiro que partiu, ainda jovem, da Ucrânia sob o domínio de nazistas e comunistas, volta para encontrar o país livre da opressão, contra a qual ele lutou desesperadamente. Um tema universal, tratado pela lente atenta e o olhar sensível do cineasta Guto Pasko.

Clique no link, assista o trailer…

(e aguarde o lançamento do filme no segundo semestre deste ano)

http://www.youtube.com/watch?v=Y0GNZGS9msE

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