É preciso (parafraseando Almir Sater)

É preciso comer pra ter barriga

É preciso saber pra boa lida

É preciso malícia para a intriga

É preciso labuta pra fadiga

 

É preciso chuva pra alagar

É preciso palavrão para xingar

É preciso cor para enfeitar

É preciso sol pra ter luar

 

É preciso entrar para sair

É preciso correr para fugir

É preciso sono pra dormir

É preciso amar para sorrir

 

É preciso escada para erguer

É preciso fio para tecer

É preciso língua pra dizer

É preciso mãe para nascer

 

É preciso surgir para se pôr

É preciso voz para o cantor

É preciso pétala para a flor

É preciso tesão para o amor

 

É preciso mais para aumentar

É preciso arte pra fazer

É preciso teimar pra insistir

É preciso opinião para se opor

 

É preciso gente pra plantar

É preciso semente para florescer

É preciso luz para luzir

É preciso fé para o que for

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RPC TV recebe homenagem

Equipe da RPCTV que produziu no Brasil e na Itália uma série de reportagens sobre a participação dos paranaenses na Segunda Guerra Mundial, exibida no programa “Meu Paraná”, recebe homenagem da Legião Paranaense dos Expedicionários.

RPC TV recebe homenagem

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Para nunca esquecer

Veja a reportagem no PARANÁ TEVÊ Primeira Edição, da RPCTV:

Sessenta anos do Museu do Expedicionário

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Prece livre pelo bom astral

Meu Senhor, permita que este seja um dia iluminado, mesmo que não tenha sol. E que os bons ventos (nem tão fortes e devastadores) nos tragam somente aqueles que pretendem fazer da vida algo melhor. Afasta de mim, Senhor, os corruptos, criminosos, malfeitores, os arrogantes, os que “se acham”, os que estão aí só para destruir e ofender, desviar e saquear, mentir, caluniar, faturar em cima da maldade e da malandragem. Permita, meu Senhor, que a esteira rolante da vida leve aquelas malas pra bem longe, para outro vôo, outro aeroporto, outro país (de preferência que elas sejam extraviadas para nunca mais!). Peço, encarecidamente, que me dê força de vontade, disposição, benevolência e, principalmente, paciência (ah, esta palavrinha mágica, poderosa!) para enfrentar cada dia, todos os dias me reinventando e aprendendo a reinventar a vida, esta dona implacável e fugaz como um espirro. Que eu seja, para todos com quem tiver contato, pelo menos uma boa companhia. Senhor, se não for pedir muito (é meu sincero apelo à Sua generosidade), assegura o que for preciso para eu poder seguir a trilha do Bem. Saúde eu peço, para mim, para os meus e para todos, sobretudo aqueles que padecem de graves enfermidades, independentemente do partido, da opção religiosa, sexual, da cor da pele, da classe social (principalmente aqueles que dependem do nosso sistema de saúde pública). E que a gente possa, Senhor, chegar ao fim de cada dia leve, com a consciência livre, a fé inabalável, a crença de que todo o ser humano é, em sua essência, bom (depende do ponto de vista, dai-me Senhor, um bom ponto de vista!). E me faz acreditar, firmemente, que tudo o que enfrentamos hoje vai ser e acontecer para o Bem e para o Melhor que a vida pode nos dar amanhã. Amém!

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O nome da paz

com Virginia Leite, seu jaleco de trabalho e o rol de medalhas

Virgínia Leite é uma daquelas mulheres por quem você se apaixona na hora. Doce, meiga, carinhosa, mas também dura, brava, mandona. Saiu de Irati, onde era professora na década de 1940, sem hesitar diante da possibilidade de servir ao Brasil no front italiano na Segunda Guerra Mundial. Foi enfermeira da FEB, num hospital de campanha montado para atender feridos nas batalhas. Entrevistamos Virginia para o Projeto FEB Brasil-Itália. Depois de quase uma hora de conversa, ela levantou-se com dificuldade, apoiada em duas muletas, sem aceitar ajuda (“amanhã você não vai estar aqui para me ajudar”, disparou…) e foi até um outro cômodo do apartamento onde mora no centro de Curitiba. Voltou depois de alguns minutos, apoiada na dignidade e na honra de ser quem é, exibindo as medalhas no jaleco branco de enfermeira. É difícil encontrar palavras para traduzir a emoção daquele momento. Uma mulher, brasileira, enfermeira, veterana de guerra, mostrando de forma singela o que é ser herói, o que é ser um exemplo de vida, de serviço, de dedicação e amor. Nesta quarta-feira, dia 23 de novembro, o Museu do Expedicionário de Curitiba comemora 60 anos. Estarão lá alguns expedicionários, alguns dos nossos heróis da Segunda Guerra. Mas Virginia não estará, tal a dificuldade que tem de enfrentar a artrite que lhe rouba os movimentos, que lhe causa tanta dor. Virginia, seu trabalho, sua luta, sua trajetória de vida já estão na história para sempre. Amamos você, Virginia.

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Os Kaiowás somos nós

Enquanto em Brasília se discute e aprova o novo Código Florestal, em algumas regiões do país nossos cidadãos são desrespeitados em seus direitos básicos, fundamentais. Mais ainda aqueles que não tem terras, dinheiro, poder, associações, sindicatos, federações para defendê-los. Aqueles cidadãos considerados de “segunda classe”, “menos brasileiros” do que os outros, dos quais “não se sentirá falta” se sumirem. Nosso país ainda tem muito o que aprender sobre democracia, sobre projetos nacionais. Enquanto se “pacifica” favelas, nossos índios perambulam por estradas, acampamentos, fugindo de áreas dominadas pelos latifúndios, ou sujeitas à inundação pela construção de represas que vão dar origem à hidrelétricas que, por sua vez, trarão indústrias para áreas frágeis do ponto de vista ambiental e social. O massacre a que estão sujeitos de forma crônica os guaranis-kaiowás de Mato Grosso do Sul é o mesmo a que populações marginais e carentes em qualquer parte do mundo estão condenadas por uma sociedade que só vê o desenvolvimento numa direção. Na direção do lucro fácil, do dinheiro rápido, porque afinal de contas tudo um dia, mais cedo ou mais tarde, está fadado a acabar.

Guaranis-kaiowás ameaçados

http://g1.globo.com/mato-grosso-do-sul/noticia/2011/11/indios-dizem-que-dois-adolescentes-desapareceram-apos-ataque-em-ms.html

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A voz que não envelhece

Plant é “um cara”, talvez o cara. O cara que soube chegar até aqui fazendo um som digno de ser ouvido e admirado. Sem abandonar as raízes que fizeram dele um dos maiores vocalistas do rock, reconstruiu uma carreira criativa e de sucesso, formando novas bandas, promovendo outros músicos, costurando parcerias. Envelheceu sem ficar velho. Continua na estrada porque gosta (ou porque precisa, sei lá!), e tá aí, quebrando tudo por onde passa. Faz a gente esquecer de sentir saudades de “Stairway to heaven”.

Robert Plant & the Band of Joy: Radio Broadcast, 2011 Winnipeg Jazz Festival

11.18.2011
CBC Radio 2 will broadcast Robert Plant & The Band of Joy live in Winnipeg, recorded at the Winnipeg Jazz Festival, June 21, 2011. Broadcast: Nov. 18, 19:00 to 20:00 Eastern Standard Time.

The concert is also available On Demand, from the CBC website here.

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Operários da Amazônia, por Lunaé Parracho

“Cuando los satélites no alcancen…”
Texto e foto Lunaé Parracho, direto de Altamira/PA (em 16/11/11)
“Aqui se escreve de baixo pra cima e não de cima pra baixo”, desabafa Antônio – vestindo uma camisa da seleção brasileira que chama a atenção na margem escura da transamazônica em Anapu – como quem evoca a história da terra condenada com seus mártires caídos de bob dylan. São dez da noite e o seu ônibus vai chegar nos próximos minutos. E lembra da filha Juliana, 16, que ficou no Maranhão, “ela escreve da direita para esquerda, sabe? Parece que está escrevendo errado, mas quando você vai ler, está certinho”. Sorri o sorriso possível. “Estou com saudades dela”, diz.Nesta manhã Antônio foi acordado em seu alojamento no sítio Belo Monte tomado por policiais militares da ROTAM. Assustado, foi enfileirado sob a mira de armas com 140 companheiros de trabalho – todos recrutados pelo Consórcio no Maranhão para virem trabalhar na maior obra do país – e demitido com todos eles.Na sexta-feira, ele aceitara a sugestão de um gerente da empresa para representar os colegas descontentes com as condições de trabalho em belo monte. A revolta havia acendido no canteiro quando quatro trabalhadores foram demitidos por se recusarem a realizar um trabalho que estava fora de suas funções. Após o expediente, um grupo maior ameaçou tocar fogo no canteiro caso as demissões não fossem revertidas. Para tentar organizar as coisas e acalmar os ânimos, ao lado de José, Valter e Josivam, Antônio formou o que depois chamariam de “grupo que defendeu os direitos dos trabalhadores no ccbm consórcio construtor de belo monte” e iniciou uma negociação com a diretoria do canteiro, de quem ouviram a promessa de que ninguém seria demitido por conta das reivindicações. No sábado, paralisaram as obras até as 10 horas da manhã, quando se reuniram com representantes da empresa e apresentaram a sua pauta de reivindicações. As propostas seriam levadas à uma instância superior e um retorno foi prometido para o dia 24 deste mês.Após as demissões, os 4 foram impedidos de irem até Altamira – onde pretendiam procurar a imprensa – e escoltados pela polícia até Anapu, onde foram deixados na BR com bilhetes para um ônibus de volta para casa que só chegaria quase 10 horas depois. No canteiro de obras não há sinal de celular e os trabalhadores alojados ficam sem comunicação.Nós não tínhamos dinheiro para alugar um carro e corríamos contra o tempo para alcançá-los em Anapu. Ruy tentava agilizar por telefone com o motorista do único ônibus que seguiria pra lá nesse horário e que conseguimos pegar já na saída da cidade. O ônibus é pequeno e segue balançando o percurso inteiro pela estrada de terra. Uma das passageiras, Ciléia, está preocupada em encontrar um jeito de acomodar o filho de 3 anos que quer dormir. Ela não acha nada da barragem, só quer chegar logo sua casa, “Moro no Pacajá, mas nasci mesmo foi no Maranhão”. As vezes a gente tem a impressão de que todo mundo aqui tem origem nordestina. Maranhão, Pernambuco, Ceará, Bahia.. Gente que chegou aqui criança acompanhando os pais que vinham atrás da promessa de uma vida melhor. Do mesmo jeito que fez Antônio. “Belo Monte pra mim era um sonho. um sonho que virou pesadelo”..

Valter – o mais novo deles, que também trabalhou em Jirau – escreveu o manifesto que faz questão de ler pra gente:

“…Os responsáveis pelos trabalhadores alojados marcou uma reunião com os trabalhadores para ser feito as colocações das propostas, das quais os funcionários precisavam para trabalhar com salários justos e liberdade de expressão. Os trabalhadores do sítio selecionaram um grupo de pessoas para representá-los na reunião com a diretoria. O grupo escolhido sentou na mesa e apresentou as propostas de melhorias contínuas escolhidas e expressadas pelos trabalhadores. Foram reivindicados assuntos como: baixada regularizada, ajuste de salário, readmissão de funcionários demitidos sem razão, saúde com qualidade, etc. A mesa da diretoria levaram os tópicos em debate para aprovação. Apenas verbalmente prometeram analisar os casos e tomar as devidas providências de melhoria. O grupo fez as colocações e defendeu os direitos dos trabalhadores do CCBM (consórcio construtor de belo monte), no sítio belo monte. A diretoria pediu um prazo até o dia 24 do mês de novembro pra trazer os resultados da aprovação das solicitações feitas pelo grupo trabalhista. Porém esta decisão não chegaria a ser ouvida pelo grupo. No dia 16 do mês de novembro chegou uma lista com demissão de 141 funcionários recrutados na cidade de Estreito-MA pelo CCBM. Sem ação para defesa os Trabalhadores foram demitidos e encaminhados de volta à sua cidade… sem saber a decisão dos seus direitos exigidos pelos funcionários em geral.”

Preocupado, conta que o consórcio não quis nem dar uma carta de recomendação para eles. Demitidos – antes de completar um mês de carteira assinada – por lutar pelos seus direitos na grande obra do governo do partido dos trabalhadores. “A empresa usou a gente e jogou fora”, diz. As malas amontoadas, sentados à beira da estrada aberta por uma grande maioria de nordestinos como eles, os quatro não sabem direito o que vai ser daqui pra frente e têm medo de encontrar problemas para arranjar novos empregos.

O ônibus passa por eles sem parar, mas Valter corre atrás e consegue trazê-lo de volta.
Nos despedimos como se fôssemos velhos amigos, combinando de nos encontrar “pelo mundo, qualquer dia”.
Os quatro embarcam às 22:15.

Sem internet, sinal de celular ou ônibus pra voltar à Altamira, alugamos um quarto no hotel do Paulo – 15 reais por pessoa -, que fica ao lado da única farmácia 24 horas de Anapu, que à uma altura dessas estava obviamente fechada. Uns malucos sentados em roda nas cadeiras de um bar que já fechou, numa calçada da estrada seguem bebendo até bem tarde. Não tínhamos mais onde comprar cigarros quando o mais calado deles oferece um dos seus, irônico: “serve um marlboro?”. A marca do cowboy é o ouro dos fumantes na região. Em Altamira, só dois lugares vendem marlboro – fora a rodoviaria – e a um preço acima da tabela nacional.

Na volta, pegamos uma van até o canteiro, onde descemos pra confirmar se mais trabalhadores seriam demitidos. Um dos passageiros, Sebastião, olha atento através da janela como quem chega a um novo mundo, enquanto máquinas e caminhões seguem seu ritmo frenético na estrada. Sebastião vem de Rondon do Pará – há mais de 600 km – com a mulher e três filhos, em busca de emprego na “obra da barragem”.

“Vocês sabem onde eu posso me fichar?”

Os quatro de Belo Monte (foto: Lunaé Parracho)

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Rótulos

Eu dirigia o fusca branco e a gente ia pra praia. Acho que era Capão. Eu peguei uma fita (k7, alguém sabe do que eu tô falando?), botei no toca-fita e dei gás (no volume e no acelerador, como se fusca andasse…!)… silêncio, aquele filme mudo, só que em slow, um nem olhava pro outro. Era inverno, mas tinha sol, estava quente, a gente até suava de tanta pressão. Ela me disse: pô, grunge! E eu falei, não. É samba canção, de um grupo chamado Pearl Jam.  A gente foi e voltou sem palavra. Sem porém, sem porquês, sem tesão. Eu lembro que choveu, só podia… Eu sou do tempo do rock, bebê! Mas não tenho preconceitos sonoros. Não vou dizer: “é grunge mas é bom”, soa ridículo. Grunge ou não, eu curto Pearl Jam. E tá aí uma pequena amostra de que o rótulo só faz acabar com a chance de descobrir algo bom, porque alguém falou que podia não ser. O fusca era branco (white). A mancha de preto (black) não é mera coincidência. A confusão era só o começo do fim.

Black, Pearl Jam

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As montanhas fantasmas (Era do gelo!)

Cientistas explicam formação de ‘cordilheira fantasma’ na Antártida

Jonathan Amos

da BBC News, em Bergen

 

Acampamento da BASA pesquisa precisou do apoio de sete países

Cientistas dizem que agora podem explicar a origem do que talvez sejam as mais extraordinárias montanhas da Terra.

As Gamburstsevs são do tamanho dos Alpes europeus e totalmente cobertas pelo gelo antártico.

Sua descoberta na década de 1950 foi uma grande surpresa. A maioria supunha que o continente fosse plano e sem grandes variações.

Mas dados de estudos recentes sugerem que a cadeia de montanhas formou-se há mais de um bilhão de anos, segundo o trabalho divulgado na publicação científicaNature.

As Gamburtsevs são importantes por serem o local onde sabemos hoje que o gelo iniciou sua expansão pela Antártida.

Estudos climáticos

A descoberta da história das montanhas ajudará portanto em estudos climáticos, auxiliando cientistas a descobrir não apenas mudanças passadas da Terra, mas também possíveis cenários futuros.

“Pesquisar estas montanhas foi um enorme desafio, mas fomos bem-sucedidos e produzimos um trabalho fascinante”, disse Fausto Farraccioli, da British Antartic Survey (BAS), à BBC.

Ele foi o pesquisador principal do projeto AGAP (sigla em inglês para Província Antártica de Gamburtsev).

A equipe de cientistas de várias nacionalidades viajou algumas vezes durante os anos de 2008 e 2009 ao leste do continente gelado, mapeando o formato da montanha escondida usando um radar capaz de penetrar o gelo.

Outros instrumentos registraram os campos gravitacionais e magnéticos, enquanto sismômetros estudavam as profundezas da Terra.

A equipe AGAP acredita que estes dados podem agora construir uma narrativa consistente para explicar a criação das Gamburtsevs e sua existência através do tempo geológico.

Supercontinente

É uma história que começou pouco antes de um bilhão de anos atrás, muito antes de formas de vida complexas se formarem no planeta, quando os continentes estavam se atraindo para formar um supercontinente conhecido como Rodínia.

A colisão que aconteceu gerou as enormes montanhas.

No decorrer de centenas de milhões de anos, os picos sofreram gradualmente um processo de erosão. Apenas as “raízes”, ou bases, das montanhas teriam sido preservadas.

Mas entre 250 e 100 milhões de anos atrás, quando os dinossauros habitavam o planeta, os continentes começaram a se separar em uma série de fissuras próximas à base gelada das montanhas.

Este movimento aqueceu e rejuvenesceu as “raízes”, criando as condições necessárias para que a terra se elevasse mais uma vez, fazendo com que as montanhas fossem restabelecidas.

Seus picos cresceram ainda mais na medida em que vales profundos foram sendo cortados por rios e geleiras a seu redor.

E teriam sido as geleiras que escreveram os capítulos finais, há cerca de 35 milhões de anos, quando elas se expandiram e se fundiram para formarem o Manto Antártico Oriental, encobrindo a cadeia de montanhas neste processo.

Mistério solucionado

“Esta pesquisa realmente soluciona o mistério de por que você pode ter montanhas aparentemente jovens em meio a um velho continente”, diz a pesquisadora principal do estudo, Robin Bell, da universidade de Columbia.

“As montanhas originais provavelmente foram erodidas, para retornar como uma fênix. Elas tiveram duas vidas”, disse ela.

A ideia é agora conseguir financiamento para escavar as montanhas em busca de amostras de solo, que poderiam confirmar o modelo divulgado na Nature.

Os pesquisadores também buscam determinar o local mais adequado para fazer a escavação no gelo.

Ao examinar bolhas de ar presas na neve compactada, os pesquisadores podem determinar detalhes do passado, como condições ambientais, incluindo a temperatura e a concentração de gases na atmosfera, como dióxido de carbono.

Acredita-se que em algum local da região de Gamburtsev seja possível a coleta de amostras de gelo com mais de um milhão de anos. A amostra seria ao menos 200 mil anos mais antiga do que o gelo antártico já analisado por cientistas.

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