Azul

Beira Mar (Gilberto Gil)

Na terra em que o mar não bate
Não bate o meu coração
O mar onde o céu flutua
Onde morre o sol e a lua
E acaba o caminho do chão
Nasci numa onda verde
Na espuma me batizei
Vim trazido numa rede
Na areia me enterrarei
Na areia me enterrareiOu então nasci na palma
Palha da palma no chão
Tenho a alma de água clara
Meu braço espalhado em praia
Meu braço espalhado em praia

E o mar na palma da mão
No cais, na beira do cais
Senti o meu primeiro amor
E num cais que era só um cais
Somente mar ao redor
Somente mar ao redor

Mas o mar não é todo mar
Mar que em todo mundo exista
O melhor, é o mar do mundo
De um certo ponto de vista
De onde só se avista o mar
A ilha de Itaparica

A Bahia é que é o cais
A praia, a beira, a espuma
E a Bahia só tem uma
Costa clara, litoral
Costa clara, litoral

É por isso que é o azul
Cor de minha devoção
Não qualquer azul, azul
De qualquer céu, qualquer dia
O azul de qualquer poesia
De samba tirado em vão
É o azul que agente fita
No azul do mar da Bahia
É a cor que lá principia
E que habita em meu coração
E que habita em meu coração

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Brincar de música

Música de brinquedo é singelo, ótimo repertório, um resgate de algumas velhas canções interpretadas como quando se é criança e se canta e toca batucando latas e sacudindo chocalhos…

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O nome do inimigo

O crack é um problema de saúde pública, afirmam alguns médicos. É preciso prevenir, com educação e informação. É preciso combater com repressão, mas também com formas eficientes de tratamento, com assistência social, com apoio aos dependentes e às famílias. O que acontece é que a velocidade com que a droga se espalha e faz novos usuários é muito maior do que a capacidade que o poder público tem demonstrado para enfrentar este mal. Não dá pra fingir que o problema não existe, ou que é menos grave do que parece. Governo e sociedade precisam se unir, enquanto é tempo.

http://g1.globo.com/videos/parana/t/paranatv-2-edicao/v/consumo-de-crack-aumenta-no-parana/1853734/

 

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Não leve malas

Se você for a Morro de São Paulo (e eu sugiro que vá, porque vai ser inesquecível), prefira uma mochila. Se decidir ficar na ilha por poucos dias, toda a roupa que precisar vai caber numa mochila de tamanho médio. Não é uma viagem para um lugar convencional, lá não tem shopping center, restaurantes chiques, butiques, todo mundo anda de calção, bermuda e camiseta, tênis ou chinelo. Até mesmo nas festas, o pessoal se veste de um jeito simples. Salto alto? Nem pensar! Se você levar uma mala, mesmo que seja de rodinhas, não vai ter como puxar. Vai precisar contratar um táxi (foto) e vai pagar o maior mico! Em Morro, como em muitos outros lugares, malas são inúteis, chatas e pesam demais. Fuja delas!

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Enquanto isso, no país do futebol…

Os ferrenhos defensores da realização da Copa do Mundo no Brasil ergueram loas à vitória brasileira na concorrida escolha do país sede. Muita gente alertou, com arrepios na espinha, sobre o custo de uma Copa num país com tradição de corrupção e roubalheira, acostumado aos “mal feitos”, como diz a presidente. Pois aí está… Vamos ver quanto vai alcançar a contabilidade nefasta dessas obras. Alguns estádios, agora chamados de Arena(!), se tornarão palcos fantasmas em cidades e estados onde o futebol é tímido, isso pra não dizer que não existe, não justifica o gasto, como Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Norte. Quero ver o que vão dizer os que festejaram a escolha do Brasil como uma vitória da pátria, logo depois que o juiz apitar o encerramento da final, certamente, sem o Brasil em campo…

http://g1.globo.com/politica/noticia/2012/03/governos-divergem-sobre-custos-de-dez-estadios-da-copa-de-2014.html

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O príncipe de lá e o daqui

O Reino mandou um de seus príncipes em visita ao Brasil. No Rio de Janeiro, Harry foi ao pagode, sambou, passeou de helicóptero, beijou beldades, tomou uma no bar, subiu o morro da Urca com o bondinho embandeirado, acho que só não foi à praia. Mas ficou em estado de graça nos trópicos. Já o irmão, William, foi às Malvinas, ou como o Reino prefere, as ilhas Falklands, reafirmar a soberania sobre o território ainda em litígio com a Argentina. Parece que os vizinhos não usufruem da mesma simpatia e tiveram que engolir a provocação. Um lá e outro aqui. Escolhi uma música, um manifesto (como tudo que ele faz) de quem eu considero o nosso príncipe. O príncipe da tropicália, do baião, do samba e do rock, que maneja as palavras com a ironia e a perspicácia dignas da nobreza. O príncipe dos trópicos, o Rei do Cabrobó. Ave, Tom Zé!

http://www.youtube.com/watch?v=TyptIglZmDw&feature=related

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Tesouro

A água “enche” a praia. As pedras submergem, sob a maré que cresce, vai subindo e convidando pra um mergulho sem igual. O Morro é o “bicho”, diria um morador local. E a gente é obrigado a concordar. Durval Lélys canta: “É Morro, é Morro, tesouro, tesouro!” E eu digo: É azul original.

(A foto é da Quarta Praia, perto do meio-dia)

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Maré

Terceira praia, pela manhã cedinhoAinda escuro, a água retrocede e vai deixando entrever a areia, os recifes de corais. Uma vegetação aquática rica, mas rala, que se agarra como musgos na pedra. A maré recua, dando uma trégua para a caminhada. Os olhos não cansam de enxergar tanta beleza, até o horizonte terminar! Mais tarde (vou mostrar em outra foto), a água volta a ocupar o seu lugar. Cobre as pedras e oferece uma praia espetacular, de águas mornas, com ondas que te fazem boiar na correnteza como se a alma estivesse apenas flutuando. O movimento da maré. Não é assim que a vida é?

(A foto é da Terceira Praia, em Morro de São Paulo, pela manhã cedinho)

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A história de Sebastião (parte 1)

Não é uma questão de ser contra o desenvolvimento do país. Mas se a energia é limpa, por que o processo da construção da usina e da remoção das famílias não pode ser???

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Pelos litorais

Saí em busca do litoral. Não o que desenha mapas e define a costa. Viajo à procura do meu litoral, horizonte esquecido, há muito perdido. Vou na direção daquela janela que se abre para a alma. Daquele portal de luz e água que sobe e desce, que permanece o mesmo e se renova, também, a cada movimento. É uma busca de mim mesmo, porque sei que em algum ponto deste litoral eu me conecto com a energia que ilumina o mar interior (de certa forma infinito), que faz as ondas jogarem pra fora o que não serve mais, que é ao mesmo tempo passeio e morada. Superfícies de calmaria, profundezas de mistérios que me lanço a (re)descobrir.

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