Os coqueiros vão crescer

Uma ideia, um novo negócio, um projeto, uma caminhada ou apenas um pensamento. Por mais tímidos ou ambiciosos que sejam, há sempre um começo. As ondas que chegam à praia trazem algo de monótono mas também de inesperado. Invadem a areia quase em câmera lenta e sobem com força na maré cheia. Vem conchas, caranguejos, pedras, objetos um dia jogados, num outro lugar distante. O barco inicia a remada e lança à água a rede esperançosa. Fator de inegável sucesso dos empreendimentos, esta esperança. O mar, para mim, traz o que já é sabido, mas também sempre um novo aprendizado. Como pensar sobre coisas postas, algumas ainda indecifráveis e não chegar a conclusão alguma. Os coqueiros vão crescer. E, tão previsível quanto a noite que chega, vão dar cocos um dia. Se alguém não os plantasse, não cresceriam. Volto ao começo pra tentar entender o que está por vir. Apenas sinto que o sol me faz companhia. E aquece a esperança de novos tempos. O coco, em seu oco interior, já começa a engendrar a água que, amanhã, vai me matar a sede.

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Terror de estado e obscurantismo

No país dos ayatollás, é assim. A pena de morte executada da forma mais cruel e teatral: a forca, acionada por guindastes hidráulicos. O julgamento, baseado na interpretação do Alcorão que os sacerdotes se julgam aptos a fazer, determina como pena desde o apedrejamento (dos tempos de Cristo) até a morte por enforcamento. O país, com séculos de história, uma cultura recheada de arte, poesia, literatura e também religião, está mergulhado na bruma espessa da ignorância e do atraso, desde o fim da década de 1970, quando Khomeini voltou do exílio na França e tomou o poder. Não que antes, no período do xá Reza Pahlevi, as coisas fossem melhores, apenas se respirava uma atmosfera um tanto menos dominada pelos fanáticos líderes xiitas. O Irã é como uma princesa rica e inteligente, acorrentada num  quarto frio, úmido e mofado, mantida com alimento e ar suficientes apenas para a sobrevida. O Irã com sua ira xenofóbica, fundamentalista e radioativa, é hoje uma lástima entre os povos do Oriente. Mas as coisas vão mudar. O país tem um destino traçado e vai, com toda a certeza, superar esses tempos sombrios para assumir uma condição de liderança na transição espiritual da humanidade. Aí, então, a ira de amanhã pode recair sobre os algozes de hoje.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1112795-ahmadinejad-e-seus-guindastes-da-morte.shtml

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Que nem jiló

O Globo Repórter mostrou hoje a influência de Luiz Gonzaga nas festas juninas por todo o nordeste. Uma bela homenagem conduzida pelos repórteres Chico José e Beatriz Castro, que conhecem como ninguém o agreste, sua gente, suas mazelas, suas festas. Em pleno período dos festejos juninos, em memória do “Rei do Baião” e por conta dos 70 anos de Gilberto Gil, compartilho aqui uma das canções do Gonzagão recriadas por Gil. Dois mestres da música popular brasileira.

http://www.youtube.com/watch?v=-8Ob2-admRA

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De Cannes

Muito legal a matéria de Fabrizio Rosa, na Gazeta do Povo, sobre o Festival de Cannes. Não deixe de ver o video.

http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=1270063&tit=Cannes-aponta-tendencias-na-comunicacao-criativa

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Velhas baladas

Algumas pessoas perguntam por que eu gosto de músicas antigas. Bom, tem coisas que eu cresci ouvindo, marcaram de alguma maneira minha infância e juventude. E apesar de curtir músicas e músicos de agora, eu ainda escuto as velhas canções. Algumas delas continuam muito atuais. Como “Teach your children”, de Crosby, Stills, Nash and Young.

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Guaíra repaginado

Teatro Guaíra

O “Guairão” vai ganhar uma reforma, com ênfase na restauração de alguns equipamentos. Banheiros, poltronas, revestimento do palco, elevadores. O Guairinha, inaugurado em 1954, também vai passar por uma obra para resolver problemas estruturais. Debaixo do palco, existe um fosso que recebe a água do rio Ivo (que passa ali perto). Quando chove muito e o rio transborda, a água invade o fosso e cria um sério problema de umidade e mofo no teatro. Vai ser preciso criar um novo sistema de drenagem para evitar prejuízos maiores para o espaço cênico e a plateia.  O Guairão e o Guairinha são referências no país, pelo conforto e pela acústica, muito elogiada por músicos e atores. Tem uma equipe técnica de profissionais experientes e talentosos. São espaços reconhecidos no Brasil e no exterior, que precisam ser bem cuidados. Nesta terça (26/6), a gente conversa com Monica Rischbieter, diretora geral do Guaíra e com Sérgio Inzidoro, arquiteto que faz parte da equipe do teatro.  O programa Passado e Presente vai ao ar às 21h30, na Otv, canal 11 da NET Curitiba. Ou em tempo real pelo site www.otv.tv.br

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“um dom, uma certa magia”

Já perdi a conta de quantas vezes ouvi esta música. Mas ontem, no Teatro Positivo, em Curitiba, Milton cantou de novo e emocionou todo mundo. Diz muito sobre as mulheres, mas também sobre o que é ser brasileiro, se reinventar todo o dia e não perder nunca a esperança no sim, mesmo quando tudo parece dizer não.

“Mas é preciso ter força,
É preciso ter raça
É preciso ter gana sempre
Quem traz no corpo a marca

Maria, Maria,
Mistura a dor e a alegria
Mas é preciso ter manha,
É preciso ter graça
É preciso ter sonho sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida”…

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Pura lucidez

Considerações sobre os discursos da Rio+20
(publicado em 20/6/12, por Hosseyn Shayani, no Facebook)

Como as suaves brisas do amanhecer, coroadas por tons roseos de nuvens timidamente ensolaradas, estamos nos despertando à realidade de que não pode-se implantar a tão desejada governança global, sem atacar as causas das nossas dores: a angustia do coração sem rumo. Partindo da premissa que o avanço da civilização se dá pela construção e interação dinâmica e harmoniosa do tripé: ideologia, organização e tecnologia, temos assistido tanto na conferência oficial, quanto na Cúpula dos Povos, ao focar apenas as duas últimas, deixando de lado a ideologia.

Fala-se em governância global, na emergência de um novo modelo de sociedade mais justa e com qualidade de vida, em soluções tecnológicas mais limpas para campo e cidade, agricultura, indústria, geração de energia, transporte, construção e comunicações, mas não se investigam as causas do nosso desarranjo, a nossa forma de ver o outro, a ideologia atrás das soluções propostas.

A falsidade da presunção de que paises industrialmente avançados e político e economicamente dominantes possam indicar o caminho, enquanto eles mesmos o prejudicaram historicamente, o curto raio de visão resultante de toda forma de preconceito, a postura materialista em relação à condição do ser humano, todos previnem o diálogo e as soluções apropriadas aos atuais desafios globais. A causa é mais profunda e está entesourada nas palavras de Bahá’u’lláh:

Havendo criado o mundo e tudo que aí vive e se move, Ele, pela operação direta de Sua Vontade absoluta e soberana, se dignou conferir ao homem a distinção e a capacidade incomparáveis de conhecê-Lo e amá-Lo – capacidade esta que deve ser vista como o impulso gerador e o desígnio primário que baseia toda a criação […]

Até quando, na nossa ideologia, não teremos coletivamente reconhecida a realidade da existência da transcendência – que nos embaseia, sustenta e orienta pela consciência individual e coletiva e pelas progressivas revelações dos grandes educadores universais-, e todas suas implicações na eliminação de preconceitos, na criação de ambientes de diálogo, na governância global e local, nosso caminho rumo a um desenvolvimento pleno estará barrado e não haverão soluções douradoras.

Vito Comar

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Só chove (um hit é sempre um hit)

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Inverno aqui

Toda vez que chove sem parar, por vários dias, eu vou lá no baú, procuro uma foto dessas, de um dia luminoso e quente e me vingo da cara mau humorada do tempo. Durma com um sol e um mar desses, noite fria e cinza que anuncia um inverno bem perto de chegar!

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