O almíscar das emboscadas

meu nome é passado
um caminho distante
os sonhos de agora
nasceram bem antes

eu venho de um tempo
que eu mesmo invento
quando acordo, caminho
e tudo renasce como se já fora

passos pelas trevas
de uma noite eterna
eternamente escura
séculos de alegria e agrura

já devo ter sido
algum oleiro, pescador
navegante, criador
de fragrâncias

outras existências
foram mesmo fatais
sem descanso, uma procura
enfrenta pestes, temporais

perfumes de enganos
venenos profanos
o almíscar das emboscadas
o risco das escaladas

foram sempre o destino
deste velho
desde menino
pequeno guerreiro

de louca sobrevida
na fronteira do erro
na linha torta, atrevida
por onde me esgueiro

em busca do sempre
ao norte do quando
for a vez
de seguir caminhando

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Ela soube viver

Hebe Camargo se foi hoje. Fica na história como a maior apresentadora da tv brasileira. Escrachada, bem humorada, popular, sem medo de ser feliz (nem mesmo de dizer uma besteira), autêntica! Mesmo quem não gostava do estilo dela, respeitava. Um carisma sem igual. Ela foi única, assumida, inteira no que fazia. Recebia no palco como se fosse no sofá de casa. Cunhou a célebre expressão: “gracinha”. Dava selinhos nos artistas pras fotos mais incríveis. Foi rica, uma anfitriã generosa, que sabia envolver com carinho e ser tiete de quem gostava. Além de tudo, cantava… aqui interpretou a eterna canção de Roberto Carlos: “é preciso saber viver”. Ela soube. Beijo, Hebe.

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Atari X Guitar Hero

Pra quem gosta de games, antigos e novos, vale dar uma conferida no programa Passado e Presente, da Otv, hoje, 21h30, n0 canal 11 da Net Curitiba. O empresário Antonio Borba, aficcionado e colecionador de consoles e cartuchos do lendário Atari e o estudante Raylan Closs, de 17 anos, campeão brasileiro de Guitar Hero vão falar sobre os games de ontem e de hoje. O jornalista Sérgio Tavares é nosso convidado especial.

Ao fundo, Antonio Borba, Edenilson (o “Tubo”) e eu, na foto de Sérgio Tavares

em tempo real: www.otv.tv.br

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Um certo Neftalí

O poeta chileno Pablo Neruda morreu em 23 de setembro de 1973. Neftalí Ricardo Reyes Basoalto era seu nome de batismo. Deixou uma obra fortemente marcada por uma experiência humana única, de um tempo único. Viveu na América Latina, na Europa e na Asia, atuando como diplomata. Conheceu os horrores da Guerra Civil Espanhola, viveu o isolamento das praias desertas do exílio, saboreou a chuva interminável de Parral, região austral que lhe ensinou os primeiros dramas de um ser tão inquieto quanto criativo. Neruda cantou a liberdade, o socialismo, chorou a vergonha do golpe contra Allende, sentiu o perfume das flores e produziu as próprias fragrâncias em versos e numa prosa fértil.  Este poema é do livro “Jardim de Inverno”. Não é dos mais citados, nem dos mais conhecidos, mas para mim revela um pouco da poética de um gênio que soube cantar a tristeza e a alegria de viver.

Animal de luz (Pablo Neruda)

Sou neste sem fim sem solidão
um animal de luz encurralado
por seus erros e pela sua folhagem:
grande é a selva: aqui meus semelhantes
pululam, retrocedem ou traficam,
enquanto eu me retiro acompanhado
pela escolta que o tempo determina:
ondas do mar, estrelas da noite.

E´ pouco, é bastante, é escasso e é tudo.
De tanto ver meus olhos outros olhos
e minha boca de tanto ser beijada,
de haver tragado a fumaça
daqueles trens já desaparecidos,
as velhas estações desapiedadas
e o pó das incessantes livrarias,
o homem eu, o mortal, fatigou-se
de olhos, de beijos, de fumo, de caminhos,
e de livros tão mais densos que a terra.

E hoje no fundo do bosque perdido
escuta o rumor do inimigo e foge
não dos outros mas sim de si mesmo,
dessa conversação interminável,
do coro que cantava junto a nós
e do significado desta vida.

Por uma vez, porque uma voz, porque uma
sílaba ou o transcurso de um silêncio
ou o som insepulto da onda
me deixam frente à verdade,
e não há nada mais para decifrar,
nada mais para falar: era tudo:
e fecharam-se as portas desta selva,
circula o sol abrindo suas folhagens,
e sobe a lua como uma fruta branca
e o homem se acomoda ao seu destino.

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Depois da usina, o garimpo

MPF investiga instalação de garimpo na região do Xingu

O Ministério Público Federal (MPF) em Altamira (PA) está investigando a instalação de um garimpo de ouro da região da Volta Grande do Xingu, no Rio Xingu, área que já será afetada pela construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

O projeto pertence à empresa Belo Sun Mining Corporation, com sede no Canadá, e está em processo de licenciamento ambiental pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará. De acordo com a companhia, o potencial de produção de ouro na Volta Grande do Xingu é 4.684 quilos de ouro por ano.

O MPF questiona a instalação de um empreendimento do porte de uma mina de ouro em uma área que ficará fragilizada com a construção da Usina de Belo Monte. A região da Volta Grande do Xingu é justamente o trecho do rio em que a vazão ficará comprometida após a instalação das turbinas da hidrelétrica.

De acordo com a procuradora da República Thais Santi, que investiga o empreendimento, a sobreposição de impactos deve ser considerada. Segundo o MPF, o projeto também não considera impactos sobre as comunidades indígenas que vivem na região e a Fundação Nacional do Índio (Funai) não foi consultada para o licenciamento.

Até agora, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará fez apenas uma audiência pública sobre a instalação da mina. Para o MPF e a Defensoria Pública do Pará, a reunião não foi suficiente, além de ter sido realizada em uma área urbana, distante das comunidades que serão afetadas diretamente pelo projeto. O órgão pediu ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) que envie informações sobre as licenças de exploração da empresa Belo Sun Mining Corporation na região do Xingu. O MPF também informou que fará mais reuniões para discutir o assunto. (Fonte: Luana Lourenço/ Agência Brasil) 18/9/12

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Porto Seguro e Jaguarão

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Esgoto nosso de cada dia

A Polícia Federal afirma que investiga desde 2009 o despejo de esgoto sem tratamento no rio Iguaçu. Estações de “tratamento” clandestinas, algumas apenas de “fachada”. E classifica a Sanepar como a maior poluidora do rio, o que ambientalistas já diziam há muito tempo, embora sem confirmação oficial. A PF indiciou 30 diretores e gerentes da Sanepar. Em coletiva, um diretor da empresa de saneamento apresenta a defesa: “calúnia e mentira”, que provocaram “indignação” e pegaram a empresa “de surpresa” (esperavam que a Polícia tivesse avisado que investigava?)! Em 3 anos de investigação, a PF deve ter muitas provas do crime ambiental. A população espera que a Sanepar, em 50 anos de história, tenha um argumento um pouco mais objetivo que mostre que os consumidores não estão pagando a conta de transformar o Iguaçu das Cataratas no Tietê das araucárias. Tomara que este “esgoto” não vá pra baixo do tapete.

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Doutor Waltel

Waltel Branco recebeu nesta quarta-feira o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Paraná, em reconhecimento por seu trabalho como músico, compositor e arranjador de grande talento.

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Waltel estava tocando numa casa de jazz em Nova York. No fim do show, um senhor foi até ele e lhe perguntou se aceitaria voltar para o Brasil. O empresário estava montando uma televisão no Rio de Janeiro e precisava de um músico de talento para fazer arranjos, compor trilhas sonoras e coordenar a contratação de outros músicos. Waltel não sabia
direito quem era o tal senhor, mas topou a proposta na hora. O
empresário era Roberto Marinho. O ano 1963.
Esta é apenas uma das muitas histórias de vida desse músico
paranaense, nascido em Paranaguá, em 1929. E que fez carreira em Cuba e nos Estados Unidos, onde tocou com Quincy Jones, Nat King Cole, Dizzy Gillespie e outros nomes lendários da música americana. Também foi parceiro e fez parte da equipe de Henry Mancini, o criador da célebre trilha sonora do seriado de tevê “A Pantera cor de rosa”. E ainda viveu na Índia, onde estudou e ensinou música.

No Brasil, trabalhou com João Gilberto, Tom Jobim, Dorival Caymmi, Nana Caymmi e Caetano Veloso, entre tantos músicos com quem conviveu de perto. Na TV Globo, fez arranjos e trilhas para várias novelas. Amigo de Janete Clair, ele conta que frequentava a casa da autora de novelas, casada com o escritor Dias Gomes. Ficava lá tocando enquanto Janete escrevia os capítulos de suas novelas. Waltel ri, ao lembrar que Dias sentia um certo ciúme dele, pela amizade que mantinha com Janete. Waltel diz que, apesar da carreira bem sucedida no exterior, é pouco conhecido no Paraná. Bem humorado, aos 82 anos, brinca dizendo que no dia 19 de julho, vai virar “doutor”, ao receber o título de doutor honoris causa, da Universidade Federal do Paraná. Hoje está aposentado, mas não parado. Continua tocando seu violão, mas prefere os temas ligados à música indiana. Ainda se apresenta em público, acompanhado pelo percussionista Kito Pereira, na tabla indiana.

Não é fácil entrevistar Waltel Branco. Ele tem uma história muito
rica, colorida, curiosa. Às vezes, divaga, confunde nomes e mistura as
composições. O que não chega a ofuscar o talento desse gênio musical
que é ali, de Paranaguá. Atualmente só toca música indiana. É o que a gente podia chamar de um “violão hindu”. Waltel pratica ioga desde garoto até hoje. E, por curioso que possa parecer, é primo de Paulo Leminski e do cantor e compositor Lápis!
Nesta terça, o Passado e Presente apresenta Waltel Branco, às 21h30.
No canal 11 da Net Curitiba. Ou em tempo real, pelo site:
www.otv.tv.br

Kito Pereira e Waltel Branco nos estúdios da Ótv

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Eu queria, guria

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Primavera

Orquídea em flor. Ninguém sabe como apareceu. Se foi pela mão de alguém ou de um jeito espontâneo. Natureza, primavera. Um lugar pra ver, pra meditar, pra respirar apenas o arzinho da tarde quente. Só.

 

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