Meio tempo, tempo inteiro.

Torre da Igreja, praça central de Pistoia

As mesas do café estão lotadas. Ficam diante do grande pátio quadrado, calçado com pedras gastas que já não tem mais idade! Todos os prédios em volta são do período medieval. Você gira, 360 graus, e a sensação é de que cavaleiros com lanças e armaduras e carruagens velozes vão cruzar a sua frente, atravessando a praça. É um marrom que não é cor. É o tempo, que se inventa e recomeça a cada dia um “novo tempo”. Como se fosse milagre tudo aquilo existir ali, daquele jeito. As pessoas, pistoieses, passam com a maior naturalidade. Os que estão no café não se abalam pela imponência das fachadas. Alguns turistas se distraem com as fotos, mas para os europeus, praças medievais não são necessariamente uma novidade. O que surpreende e até mesmo revolta é ver alguém passar e lançar ao chão a bituca do cigarro. Nunca imaginei ver esta cena na Itália, ou em qualquer lugar da Europa, protagonizada por um morador local. No meio da história, deste museu vivo e aberto, debaixo daquele céu azul de verão o mesmo homem que dispensou o cigarro ainda aceso vem e cospe naquele calçamento centenário. Educação, aqui como lá, ainda é um artigo de luxo.

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