O homem que fazia mingau

Da direita: Fabio Gualandi, com a esposa Ana e Mario Pereira

Em Gaggio Montano, Fabio Gualandi morava num vilarejo que se avista do Monte Castelo. O lugar era constantemente bombardeado na Segunda Guerra. Ele tinha 13 anos e conta que a explosão de uma granada deslocou o ar, soltando estilhaços e quase o matou. Soldados brasileiros fizeram da vila um abrigo. Protegiam as famílias italianas que viviam ali e outras que se refugiaram em casas de parentes. Ficaram amigos. Os brasileiros dividiam a comida, ao contrário de outros Exércitos, que costumavam enterrar o que sobrava para não dar à população local. Fabio cuidava da cozinha dos “brasilianos” e um dia aprendeu a fazer mingau com um pracinha que, enquanto mexia a colher, cantava “mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar”! Ele nunca esqueceu a canção. Fabio, que se livrou do facismo, ainda jovem, que viu os brasileiros ajudarem a libertar sua cidade, seu país, que assistiu a fuga dos nazistas, expulsos da região pela FEB, se emociona ao dizer que sua segunda pátria é o Brasil. Pátria que ele se orgulha de ter visitado 22 vezes, com a mulher Ana.

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