“Era grande o nosso mundo!”

“Nossa floresta e nosso rio são um dos últimos patrimônios do Brasil. É triste pensar: por que tantas barragens num rio só?”, questiona Saw Exebu, ya’õ muwênat (porta-voz) do cacique-geral do povo Munduruku.

É a primeira vez que Saw vê de perto a construção de uma barragem. Ele está entre os cerca de 200 indígenas que ocupam o principal canteiro de obras de Belo Monte desde a manhã de hoje. “Estou vendo o peso dessa obra aqui. Não queremos que isso aconteça em nossas terras. Nós não queremos que sejam construídas barragens na nossa casa”, afirma.

“Nossos antepassados contam que nossas terras iam de Belém até as cabeceiras do Tapajós. Era grande o nosso mundo. Nós tivemos perdas de terras demais já. Chega.”

“O governo tem que nos respeitar. Quer fazer uma obra de qualquer jeito – isso não é certo. Essa é nossa posição. Enquanto tivermos vida, iremos lutar. Essa é a prova da nossa resistência.”

“Era grande o nosso mundo. Nós tivemos perdas demais. Sabemos que o impacto da construção é muito grande. O Tapajós é um dos últimos patrimônios do brasil, esse rio e essa floresta. é triste pensar: por que tantas barragens num rio só?

“E no Teles Pires, Sete Quedas é o maior patrimônio cultural do Munduruku, onde estão enterrados nossos antepassados, onde os peixes se procriam, onde existe a mãe dos peixes e dos animais.”

“Os munduruku se reúnem aqui com outros povos, pra fazer aliança, pra lutar contra os planos do governo de violar os direitos dos indígenas. aqui é o momento de a gente reivindicar, cobrando. Nosso passado de caçador de cabeças passou. Nossa luta não é mais assim, assim como os modos dos brancos mudaram muito. Hoje nós queremos nossos direitos garantidos pela Constituição”, explica Saw.

“Esse mundo, o nao-índio não entende. aí veem nos assim e diz ” índio já tem tanta terra, indio é preguiçoso, não tao produzindo”. nós temos essa natureza que nao é de acumular grandes riquezas. sabemos que ela precisa ser respeitada, que uma árvore é útil pra nós, que o rio é importante, a natureza, o animais, pequenos insetos – pra nos, ela nos ensina, a gente depende dela.a floresta em pé da vida, dá alimento. por isso dizemos que a natureza é nossa mãe. ela que dá condições da gente sobreviver. A sociedade do nao-indio não compreende, não consegue entender que temos nossos próprios alimentos, não temos supermercado, shopping, não temos universidade, mas a natureza nos ensina. nós entendemos o ciclo dela.
A natureza nos ensina tudo. nossos antepassados deixaram isso. Aí o governo vem querendo construir essas obras como se não existisse vida ali. na verdade, se houver deserto, tem vidas também, e elas precisam ser respeitadas. Não só munduruku. os seres humanos todos, os animais, os pequenos insetos. é a natureza. então, tá faltando essa compreensão de que a natureza fez tantas leis e elas não fora cumpridas nem respeitadas. tem meio ambiente, ibama pra manter uma floresta em pé, pra que ela nao seja degradada, invadida. mas o próprio governo atropela essas leis.”

“A mãe natureza esta sendo desrespeitada, e ela acaba se vingando onde uma forma que o mundo não compreende isso. as catástrofes e desastres no mundo acontecem por causa disso. quem diz isso não somos nós, é a natureza. tá faltando consciência de quem está no governo.

Já chega de tanta destruição.”

“Nós lutamos juntos pela amazônia de pé.”

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