Conversas com Jimmy

Tô querendo respirar, disse ele. Mas o ar da minha cidade tá seco e pesado, poluído. Quero caminhar livre, sabe, olhando só o verde, mas na rua tem carro demais. Aliás, a rua é só dos carros e seus motoristas apressados, impacientes, imprudentes! – sacramentou. A gente caminha na calçada torcendo pra que um deles não resolva subir também. E ademais, é tão ruim andar no meio dessas placas com caras de gente que parece que sempre foi seu amigo, sempre esteve do seu lado. Se apresentam com um número, um sorriso e acham que é o bastante pra te convencer. Qual nada, mais um entulho pra atrapalhar a minha caminhada. Quero o sol na minha cara – bradou como se implorasse – mas ele está de mau humor com essa história de promover a lua à condição de cheia, azul e vampiresca. Jimmy silenciou. Estou de saco cheio – disparou na sequência de um suspiro. Não quero bala, nem tiro, nem mordaça. A fumaça é do meu coração que se despedaça.

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