Simples assim

Contra a seca no nordeste, não é preciso limitar o abastecimento aos carros pipa, quando a chuva falta, ou remover montanhas para transpor um rio de lugar, como o governo fez e faz com o São Francisco, patrimônio hídrico, histórico, ambiental e social do país. Basta mandar um técnico competente ver como funcionam os sistemas de irrigação que transformam desertos em oásis nos kibutz ou nas colinas pedregosas de Israel e em terras áridas de outras regiões do Oriente Médio. Gota a gota, em pingos controlados por softwares nada geniais, se produz as mais saborosas frutas e as mais belas flores, exportadas para o resto do mundo.

Contra a incompetência administrativa do futebol brasileiro e as dinastias de “cartolas”, como são chamados alguns dirigentes inescrupulosos e suas máfias, basta adotar o modelo eficiente e altamente competitivo do vôlei, praticado aqui no Brasil mesmo, que já conquistou as mais importantes competições mundiais, demonstra uma impressionante capacidade de renovação, de descoberta de novos talentos e dá exemplos diários de crescente interesse da torcida e da mídia especializada.  Apenas valorizando a capacidade, o talento e a competência, acima de outras preferências.

Simples assim. São apenas exemplos, mas por que não se adotam esses modelos? Por vigorar no país a lei da propina, da compra de apoio e representatividade, da apropriação indevida e criminosa dos bens públicos (dinheiro), da prevalência de alguns grupos, partidos e bancadas organizadas, sobre os interesses mais legítimos do povo, atropelando a dignidade e a soberania da Nação. Em outras palavras, porque aqui imperam leis que beneficiam e protegem quadrilhas, quase sempre criadas e aprovadas por seus próprios representantes, legítima e democraticamente eleitos em campanhas financiadas ora com verbas desviadas dos orçamentos públicos, ora com recursos “gentilmente” doados por empresas privadas (sobretudo empreiteiras de obras). Ou ainda por contraventores e reconhecidos criminosos impunes, que fazem valer seus interesses maiores ao eleger políticos que irão “devolver” o patrocínio em benesses e contratos supervalorizados. Ou seja, um vício gera o outro e o outro alimenta os “uns” e muitos “outros”.

Alguns fazem de conta que não sabem e vão votar, eleger e reeleger a corja, às vezes em troca de uma esmola qualquer, que pode ser uma dentadura, uma cesta básica, um tanque de gasolina ou um emprego. Alguns fazem de conta que combatem, há os que fazem de conta que investigam e julgam. Existem, também, os que se sentem indignados e tentam encontrar meios para demonstrar a insatisfação. Infelizmente, esses são poucos.

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2 respostas para Simples assim

  1. antonio marcelino parracho disse:

    é Fernando, o retrato do nosso Brasil, administradores incompetentes, desonestos e que pouco estão ligando para o povo (ver saude publica e EDUCAÇÃ0); querem apenas fazer coisas ilegais para desviar o nosso dinheiro. Quando vamos saber escolher nossos administradores?
    muito bom o texto
    abração

  2. NANDO, meu jornalista preferido, equilibrado, inteligente, competente, da fala fácil educada e objetiva, da escrita CLARA, PONTUAL e ATUALIZADA, compartilho com tudo o que escrevestes, o nosso BRASIL está se distanciando de outros paises,nossa INFRAESTRUTURA ESTÁ AGONIZANDO, estradas,portos, aeroportos, como o mano falou EDUCAÇÃO, SAÚDE PÚBLICA, SEGURANÇA, tudo, por isso, sou mais:CACHOERA PARA PRESIDENTE, SEM INTERMEDIÁRIOS.
    até mais, parabéns.

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