The lunatic

Passaram-se dias até que ele percebesse que esteve ausente. Isento da vida. Distante dos amigos. Silente. Vago. Distraído. Sem dar bons dias, sorrir ou intervir nas conversas. O mais diferente que havia conseguido fazer era… trabalhar. Ao serviço, ele não faltou, mesmo sentindo-se o pior dos seres. O mais ignóbil. O que menos contribui para a melhoria do mundo, o progresso da sociedade, até mesmo para o sucesso pessoal. Tempos áridos, em que se dedicou apenas às guerras diárias, às batalhas de sempre. Quantos “leões” teria matado neste período? Como se matar leões fosse coisa de se vangloriar. Num raro sorriso, chegou a se perguntar como se matam leões… tiros imaginários, asfixia, exaustão, grito, susto, irritação, com frases sem sentido, contando uma mentira? A palavra que mais o cercou, incomodou, instigou nesses dias foi “sabático”. Mas ele não passa de um lunático que se cansa com facilidade da rotina, da mesma velha e falsa sensação de que tudo se renova, todos os dias. Quando, na verdade, um dia é uma réplica pobre e mal feita do outro. Ao sair, disse apenas: até breve! Volto na segunda. Estarei sempre aqui.

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